burburinho

ladyhawke

cinema por Jade Boneff

Um falcão durante o dia, uma linda e misteriosa mulher à noite. Isto não seria tão ruim, não fosse o fato do homem amado ser humano durante o dia e um lobo quando anoitece.

O desencontro permanente de Isabeau d'Anjou e Etienne Navarre transformou-se num clássico dos filmes de fantasia, revelando a beleza de Michelle Pfeiffer e o talento humorístico do quase principiante Matthew Broderick. LadyHawke, o Feitiço de Áquila (Ladyhawke, EUA, 1985) foi também um sucesso a mais para o diretor Richard Donner, que já trazia no currículo filmes como Superman, e seria mais tarde conhecido como o realizador da série pancadaria-cômica Máquina Mortífera.

Donner dirigiu LadyHawke com mão leve, respeitando o clima melancólico e não exagerando nos momentos de humor. Já Rutger Hauer (Navarre) parece ter importado seu andróide de Blade Runner, mantendo uma inexpressividade insuportável ao longo dos 124 minutos do filme. Michelle Pfeiffer está linda e etérea, mas suas falas são poucas. Seu papel ali é o de instigar o instinto protetor e as fantasias masculinas, e disso nem Broderick escapa. Seu personagem, o trombadinha Philippe Gaston, é um malandro bem-humorado e trapalhão, até que toma contato com o casal Navarre e Isabeau.

Baseado numa lenda européia do século XIII, o filme incorpora todos os elementos de uma boa fantasia - romance, aventura, coragem, amizade e, é claro, um vilão. No caso, o bispo de Áquila, que amaldiçoou o casal protagonista ao ser rejeitado por Isabeau. "Enquanto houver dia e noite, Isabeau e Navarre estarão sempre juntos, mas eternamente separados", diz a maldição.

O melhor de Ladyhawke, no entanto, não é exatamente o desespero dos amantes, mas a entrada meio abrupta do trombadinha na história. Broderick está impecável na pele de Gaston, misturando ingenuidade e bom coração com malandragem e covardia. Seus "diálogos" com Deus são hilariantes.

O filme conta ainda com dois trunfos - uma fotografia belíssima, obra de Vittorio Storaro, três vezes ganhador do Oscar, e a trilha sonora envolvente de Andrew Powell. Uma curiosidade: Ladyhawke foi totalmente rodado em locações na Europa, inclusive na cidade de Áquila, na Itália.


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