burburinho

john matuszak: cruisin' with the tooz

livros por Marcus Vinicius Garrett Chiado

J ohn Matuszak. John Matuszak. John Matuszak? Quem é John Matuszak? O americano comum, de meia idade, é capaz de se lembrar deste nome. O brasileiro comum, todavia, nem imagina quem tenha sido este, um dos maiores nomes do futebol americano e, para nós, fãs de cinema, foi o intérprete de Sloth em Os Goonies, talvez um dos personagens mais queridos da década de oitenta.

Cruisin' with the Tooz (Passeando com o Tooz), obra autobiográfica (editora Franklin Watts, 1987) escrita em parceria com o jornalista Steve Delsohn, traz ao leitor, especialmente ao fã de futebol americano, histórias pessoais do autor (Tooz é o apelido que ganhou por causa da sonoridade do sobrenome polonês), memórias e curiosidades, além de um lado sombrio daquele esporte tão famoso nos EUA.

Lembranças de Matuszak em pessoa, jogador de defesa por quase vinte anos, agraciado com duas vitórias no famoso Super Bowl, e uma lenda da equipe Oakland Raiders. O uso constante de analgésicos durante as partidas, a fim de conter a dor freqüente, a camaradagem especial entre os jogadores, curiosidades acerca do esporte e das regras do mesmo, casos engraçados vividos dentro e fora do campo, festanças com mulheres e drogas, depoimentos sobre técnicos (como o famoso John Madden) e amigos de profissão (Ken Stabler, Fred Biletnikoff, Phil Villapiano, Ted Hendricks, Joe Namath), e outras particularidades.

Aos cinéfilos, especialmente, reservou-se o capítulo final: Tooz Goes to Hollywood. As páginas do epílogo contam, rapidamente, a trajetória de Matuszak no cinema, carreira pela qual nutriu igual simpatia ao interpretar personagens em filmes como North Dallas Forty, Caveman (ao lado de Ringo Starr), Ice Pirates e o já citado Os Goonies. De Sloth, por exemplo, ele conta curiosidades interessantes, tais como o tempo que levava para ser maquiado como o deformado irmão dos Fratelli (cinco horas ininterruptas), e faz comentários elogiosos sobre Richard Donner (diretor da película) e Steven Spielberg (produtor e criador da história).

Infelizmente, permaneceu o sentimento de tristeza, de querer saber o "fim" da história, já que Matuszak faleceu aos 38 anos de idade, dois após o lançamento do livro, vítima de parada cardíaca. Segundo as más línguas, Tooz judiou em demasia do próprio corpo ao consumir, com frequência ou esporadicamente, analgésicos (novocaína), bebidas alcoólicas, drogas (cocaína), pílulas para dormir e, fã de levantamento de peso e de musculação, alguns esteróides. Um acidente bobo em que lesionou a coluna, responsável pela contrariada aposentadoria do atleta em 1982, parece não ter sido o suficiente para que "sossegasse".

O livro foi escrito em linguagem informal e divertida, uma leitura leve, quase como uma conversa entre Matuszak e o leitor em que confidências são reveladas. Os brasileiros que conhecerem bem o futebol americano certamente aproveitarão mais a obra, claro. Há, também várias páginas cheias de fotos da vida e da carreira do homem, que media 2,03 metros e pesava 140 quilos. Matuszak parece ter sido daquele tipo de pessoa bacana, amiga e direta; da espécie que se leva para casa para um bate-papo divertido entre amigos. Era o oposto de sua imagem ameaçadora: um gigante gentil. "Sloth quer chocolate!".


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