burburinho

o troco

cinema por Jade Boneff

O que você faria por setenta mil dólares? No caso de Porter, o personagem de Mel Gibson no filme Payback (no Brasil, O Troco), dirigido por Brian Helgeland em 1999, os setenta mil são quantia suficiente para justificar tudo que é crime do código penal, de roubo a assassinato, chantagem, seqüestro, passando por delitos mais leves e, é claro, muita pancadaria. E aqui, o mocinho é um bandido. Mas quem vai deixar de torcer por Mel Gibson?

A pancadaria e o humor de Payback fazem lembrar outro personagem de Mel Gibson, o alucinado durão Martin Riggs da série Máquina Mortífera. Mas a semelhança acaba aí. Porter está do outro lado da lei, não tem nada de depressivo e apanha em duas horas mais do que Riggs apanhou em todos os quatro filmes da série. E com mais variedade - em Payback a porrada vem de tudo que é lado, máfia oriental, polícia corrupta, gângsters tradicionais e até uma hilariante prostituta chinesa sádica (Lucy Liu), vestida em couro preto e acessórios.

Mas é claro, pelo título do filme já dá para perceber que o dinheiro não é tudo... uma das motivações de Porter é a pura vingança. Bem, como se sente o sujeito cuja mulher (Deborah Kara Unger) se junta a outro pilantra (Gregg Henry) para roubá-lo e ainda lhe enche o corpo de balas? Com uma experiência destas, é de se imaginar que Porter vá manter distância das artimanhas femininas. Mas filme com Mel Gibson sem mulheres é como filme de Chuck Norris sem luta. E lá vai Porter se engraçar com uma prostituta que já foi sua amante (Maria Bello), e que ele costumava levar para os "compromissos".

Outro ingrediente essencial dos filmes com Mel Gibson (talvez do próprio Mel Gibson?) são as observações sarcásticas. E disto há uma tonelada em Payback. Mesmo apanhando em mais da metade do tempo de filme, Porter ainda encontra disposição para tiradas como esta, em diálogo com a prostituta chinesa sádica: Pearl - "Ainda tenho alguns minutos." Porter - "Então vá cozinhar um ovo."

Payback rendeu 44 milhões de dólares em sua primeira semana de exibição só nos EUA. O diretor Brian Helgeland era um estreante na tela grande que, antes disto, só tinha dirigido um episódio de série de TV. Helgeland é mais conhecido pelos roteiros, entre eles Assassinos (1995), L.A Confidential (pelo qual levou o Oscar de 1997), Teoria da Conspiração (1997), e o péssimo O Carteiro (1997), dirigido e afundado por Kevin Costner. Também é dele o roteiro de Payback, baseado num livro de Donald E. Westlake. Apesar de novato na direção, Helgeland não foi mal. Também não se espera grande arroubos de brilhantismo na direção deste estilo de filme. Desconte-se os absurdos de sempre. Você foi ao cinema ou alugou o dvd para se divertir. O roteiro tem ritmo, Mel Gibson tem carisma. O resto se ajeita.


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