burburinho

o homem que tinha tudo

quadrinhos por Nemo Nox

Quando ouvimos falar na dupla Alan Moore e Dave Gibbons, vêm-nos imediatamente à cabeça o clássico dos quadrinhos Watchmen, de 1986, considerado por muitos como a melhor obra já feita com super-heróis. Antes deste marco, porém, os dois já haviam trabalhado juntos um par de vezes, ambas em 1985, primeiro numa aventura do Lanterna Verde e depois numa história do Super-Homem, esta última celebrada pelos fãs como digno aperitivo para o banquete do ano seguinte.

For the Man Who Has Everything foi publicada no álbum Superman Annual número 11, da DC Comics. No Brasil, saiu pela Editora Abril em 1991 na revista Super Powers número 21, e republicada em 2002 pela Opera Graphica com o título O Homem Que Tinha Tudo. A história se passa num aniversário do Super-Homem, 29 de fevereiro, quando Batman, Robin e Mulher Maravilha vão visitá-lo na Fortaleza da Solidão. Para surpresa de todos, o trio encontra o homem de aço imobilizado por uma planta alienígena e aparentemente em coma. Trata-se de uma armadilha do vilão Mongul, que enviou disfarçado de presente de aniversário um organismo simbionte chamado Clemência Negra (Black Mercy), capaz de colocar o hospedeiro num transe em que imagina estar vivendo sua maior fantasia e satisfazendo seu maior desejo.

A ação de For the Man Who Has Everything se desenrola paralelamente no mundo real, onde os super-heróis tentam derrotar o poderoso Mongul, e no mundo imaginado pelo Super-Homem. E é aí que os dotes narrativos de Alan Moore brilham, ao amarrar com elegância as duas tramas. Um exemplo clássico é a cena em que um personagem quebra com raiva uma árvore de vidro, e sobre os cacos vemos a legenda "é só uma questão de juntar os pedaços", na verdade um comentário de Batman na outra trama sobre como resolver o mistério.

Num nível mais superficial, For the Man Who Has Everything pode ser visto somente como mais uma aventura em que super-heróis famosos combatem uma ameaça alienígena e vencem graças ao trabalho em grupo e ao raciocínio rápido (aqui por conta do novo Robin, Jason Todd, encontrando pela primeira vez a Mulher Maravilha e também visitando pela primeira vez a Fortaleza da Solidão). Mas um dos aspectos mais interessantes da trama é a janela aberta para dentro dos personagens, por onde podemos vislumbrar o que seriam seus maiores desejos. Para o Super-Homem, simplesmente uma vida pacata, com esposa e filhos, no seu planeta de origem, Krypton, que nesta fantasia não foi destruído. Para o Batman, que momentaneamente também se vê dominado pela Clemência Negra, uma existência tranqüila em que seus pais não foram assassinados quando ele era menino. Ou seja, o que os dois maiores super-heróis da DC Comics realmente querem, segundo Alan Moore, é uma vida simples onde não são super-heróis.


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