burburinho

deuses americanos

livros por Luis Gustavo Claumann

Lançado no Brasil pela Editora Conrad, Deuses Americanos (American Gods), de Neil Gaiman, conta a história de Shadow. Ele se mete em encrencas e vai preso. Só que, ao contrário do que poderia ocorrer em prisões brasileiras, a estadia atrás das grades o torna ainda mais sábio e determinado. Tudo o que Shadow queria era voltar aos braços de sua amada esposa e ficar longe de problemas pelo resto da vida.

Poucos dias antes de ser solto, porém, ele recebe a notícia de que sua mulher havia morrido em um acidente, junto com o melhor amigo do casal, com quem Shadow voltaria a trabalhar. Sem esposa e sem emprego, ele encontra o Sr. Wednesday, que se apresenta como um trapaceiro e oferece a Shadow um emprego de guarda-costas. Sem nada a perder, ele aceita.

Mas trabalhar para Wednesday tem seu preço e ele logo aprende que seu papel nos esquemas do patrão será mais perigoso do que havia imaginado. Shadow descobre que o passado nunca morre e todos à sua volta, inclusive sua esposa morta que insiste em reaparecer em visões muito realistas, escondem os mais negros segredos.

Wednesday, na verdade, é Odin, um antigo deus nórdico que assumiu a missão de reunir divindades originárias de diversas regiões do mundo, importadas para os EUA pelos imigrantes, mas esquecidas e espalhadas pelo imenso país. Agora todos são trapaceiros, assassinos, prostitutas e sortistas. A reunião planejada por Odin visa uma batalha contra a era moderna e todos os seus símbolos.

O tema é recorrente. Em Sandman, Morpheus procura uma deusa que trabalha em um bar nos EUA fazendo strip-tease. Sentindo o perigo se aproximando, ela resolve fazer de sua última dança a melhor na vida das poucas pessoas presentes. Ela começa a se lembrar de como costumava ser adorada como deusa (e sendo uma stripper ela ainda consegue um pouco dessa adoração) e cada movimento de seu corpo hipnotiza a audiência. Sua dança se transforma em energia pura que acaba matando de prazer o público do bar.

Para sorte de seus fãs, Neil Gaiman ainda está longe de perder o fôlego. Deuses Americanos é uma obra de quase quinhentas páginas do melhor do mestre, e é recomendável, da mesma forma que seria uma bela mulher, um bom vinho, ou uma cebola gigante.


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