burburinho

madame tussaud e o museu de cera de londres

miscelânea por Hiromi Teruya

Marie Grosholtz nasceu em Strasbourg, França, em 1761. Seu pai, um soldado que lutou na Guerra dos Sete Anos (Grã-Bretanha e Prússia contra Áustria, França e Rússia) faleceu dois meses antes do nascimento da filha. Durante os primeiros cinco anos de vida, Marie viveu em Berna com a sua mãe, que trabalhava como governanta na casa de Philipe Curtius, um médico com extrema habilidade em esculpir em cera partes anatômicas do corpo humano. Quando o doutor Curtius mudou-se para Paris, levou consigo Marie e sua mãe, introduzindo-as a um mundo criativa e politicamente fascinante. O médico ensinou a Marie as técnicas de modelagem em cera. E rapidamente lhe foi permitido modelar personalidades da época como François Voltaire e o americano Benjamim Franklin. A exposição do doutor Curtius era tão famosa que passou a ser financiada pela Família Real Francesa. Tão logo o talento e a habilidade de Marie tornaram-se conhecidos ela foi convidada - aos dezenove anos - a ser tutora da irmã do Rei Luis XVI.

A vida no Palácio de Versalhes era bem diferente da que levara até então e por apenas nove anos ela viveu nas dependências de Versalhes. Em 1789, o doutor Curtius chamou-a de volta a Paris. A capital era o centro caótico da sangrenta Revolução Francesa. Marie e sua mãe foram presas e compartilharam a mesma cela de Josephine de Beauhamais, que mais tarde viria a desposar Napoleão Bonaparte. Entretanto, Marie foi encarregada de preparar máscaras de cera utilizando como molde as cabeças dos prisioneiros que haviam sido guilhotinados. Entre estes figuravam Maria Antonieta, Luis XVI e Jean Paul Marat (o filósofo revolucionário morto por Charlotte Corday).

Em 1794, o doutor Curtius faleceu e deixou para Marie toda sua coleção de cera. No ano seguinte Marie casou-se com um engenheiro francês chamado François Tussaud, com quem teve uma filha (falecida prematuramente) e dois filhos. A França continuava a sofrer após a Revolução e para que a exposição de cera de Marie sobrevivesse era necessário uma decisão muito difícil. Assim, ela deixou o país e excursionou pelas Ilhas Britânicas levando seus moldes de cera e seu filho mais velho. E ela jamais veria seu marido ou a França novamente. Marie passou mais de 33 anos exibindo sua crescente coleção para uma multidão de espectadores curiosa e intrigada. Enquanto isso, seu filho mais velho, Joseph, tomava gosto pelo ofício da mãe, enquanto Francis, o mais novo, ficara em Paris cuidando da avó, após a morte de seu pai. Quando, em 1826, a senhor Grosholtz morreu, Francis viajou para a Inglaterra para juntar-se ao que restava da família Tussaud.

Marie Tussaud superou, ainda, uma vasta gama de desastres. Em 1822 o navio que carregava a exibição que excursionava pela Irlanda naufragou. Porém, a maioria das peças foi salva. Semana a semana, as figuras de Lord Byron, dos assassinos Burke e Hare, do Rei George IV, da princesa Carolina de Brunswick, de Shakespeare, e de muitos outros eram constantemente embaladas e desembaladas para serem admiradas pelo público. Nos tempos em que não havia televisão, rádio ou cinema, as figuras de Madame Tussaud eram uma sensação. As viagens terminaram em 1835 quando finalmente a coleção de Marie Tussaud se estabeleceu em Londres, próximo ao local onde hoje se encontra o Madame Tussaud's Museum.

Marie continuou seu trabalho até praticamente sua morte. Dedicou seus últimos anos à sua própria escultura em cera. Em abril de 1850, aos 89 anos, Marie Tussaud - grande mulher do século XIX - sucumbiu. Os filhos de Marie empenharam-se em expandir a exposição. Em 1884 fixaram como residência fixa da coleção Tussaud uma casa na Marylebone Road. Os bonecos de cera foram distribuídos em várias salas, sendo uma chamada Camara dos Horrores e reservada a vilões e assassinos famosos. Até mesmo a lâmina da guilhotina que havia cortado a cabeça de Maria Antonieta fazia parte da exposição.

Um novo desastre ocorreu em 1925. Desta vez um incêndio causado por uma falha elétrica tratou de derreter figuras insubstituíveis como Robespierre e Marat. Também destruiu relíquias da era napoleônica. Em 1928 o interior do museu foi reconstruído e incluiu-se um cinema e um restaurante. Porém, com a Segunda Guerra Mundial e os ataques a Londres, nem o famoso museu foi poupado. Em 8 de setembro de 1940, em um bombardeio, a estrutura do museu foi abalada. Cerca de 352 modelos de cera foram irreparavelmente danificados. O cinema foi destruído. Posteriormente, em 1958 o Madame Tussaud's abriu o London Planetarium, construído para substituir o cinema destruído pelo fogo, e novas reformas iniciaram-se a fim de se renovar a fachada. Em 1993, a última inovação foi apresentada ao público: The Spirit of London, uma exposição que leva os visitantes através da história da cidade, dos tempos de Shakespeare aos dias de hoje. Uma história da qual o próprio museu faz parte.


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