burburinho

fernando botero

pintura por Nicole Cabral

O artista de renome internacional Fernando Botero é conhecido por suas pinturas e esculturas de personagens corpulentos. As figuras roliças e gordinhas são fontes constantes e inesgotáveis em obras que exploram o mundo intimista da nostalgia insuflada e exaltada por sua rica imaginação. Suas imagens misturam dor e prazer e às vezes nos conduzem a uma percepção infantil do mundo. Homens e mulheres cujos corpos voluptuosos extravasam os poucos panos que cobrem suas carnosidades, transmitem suavidade e leveza ao olhar. Uma mistura equilibrada de ingenuidade, ironia e paródia, algo difícil de encontrar.

Botero se define como o oposto dos outros artistas: "Não sou cubista, impressionista, surrealista ou expressionista. Sou o que sou." Para ele a pintura deve ter um tema, um volume e espaço, algo que é tabu na arte moderna. Colombiano, Fernando nasceu em 1932 na cidade de Medellín, e iniciou sua carreira aos dezoito anos em Bogotá. Passou por Barcelona, Madri, Paris e, no final de 1953, foi para Florença, onde freqüentou a Academia de San Marco. Os dois anos de aprendizagem foram para o artista o período mais importante de sua formação artística. Para chegar à técnica que alguns denominam como "Gordismo", teve que estudar os grandes mestres da pintura, o que lhe permitiu ter elementos para criar sua própria essência e impor esse selo de originalidade que lhe deu glória.

Em 1961 vários de seus quadros estavam marcados na mente dos críticos. A Alcova Nupcial (que recebeu o primeiro prêmio no XI Salão Colombiano), O Bispo Dormindo e a série sobre O Menino de Vallecas. Apenas três anos depois, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) adquiriu algumas de suas obras e expôs sua releitura de Monalisa, uma de suas obras mais conhecidas mundialmente. "Minha Monalisa não é a do Leonardo (da Vinci). Pode-se usar um mesmo tema e criar um quadro totalmente diferente. Aí reside a verdadeira originalidade, tomar emprestados personagens que todos já tenham feito e fazê-los de maneira diferente", explica Botero.

O artista que começou pintando natureza morta, retratos e mais tarde criando esculturas também trata de temas políticos em suas obras. Muitas de suas imagens retratam a vida colombiana, conflitos que assolam o país sul-americano, e nos últimos anos se concentrou na violência. Sua última série de obras expostas ao público retrata as torturas infligidas por soldados americanos a presos iraquianos na prisão de Abu Ghraib. As peças são intituladas simplesmente Abu Ghraib e numeradas de 1 a 50. Na opinião de Botero, pode-se refletir uma situação dramática mantendo um grande interesse estético, mas entende que a arte se baseia mais em temas amáveis do que dramáticos.


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