burburinho

roald amundsen e o pólo sul

livros por Luis Gustavo Claumann

Roald Engelbregt Gravning Amundsen foi um explorador das regiões polares. Nascido em 1872 em Borge, Noruega, vindo de uma família de proprietários de navio e capitães e inspirado pela pioneira travessia da Groenlândia, feita por Fridtjof Nansen em 1888, ele se decidiu por uma vida de exploração do até então desconhecido. Seu sonho era conquistar o Pólo Norte. Contudo, em setembro de 1909, a notícia veio pelas mãos do norte-americano Robert Peary e espalhou-se pelo mundo. O objetivo havia sido finalmente alcançado. No mesmo instante, Amundsen percebeu que o plano original da sua viagem já não tinha mais significado. O único meio de salvar a expedição era trocar de objetivo, dar meia volta e enfrentar o Sul. Esta nova aventura foi descrita pelo próprio Amundsen, numa obra magnífica de 520 páginas, lançada no Brasil pela editora Alegro.

A corrida ao Pólo Sul foi um dos lances mais dramáticos do começo do século passado. Além de Amundsen, o britânico Robert Falcon Scott também não mediu esforços para ser o primeiro homem no ponto mais meridional do planeta. Ao analisar as dificuldades, nevascas, geleiras, e sem auxílio de grandes invenções da atualidade, a corrida de Amundsen e Scott hoje parece uma loucura. Quando Amundsen resolveu partir para o pólo Sul, Robert Falcon Scott já era um veterano antártico. Sua primeira viagem à Antártida, em 1901, a bordo do navio Discovery, já tinha o objetivo de chegar o mais próximo possível do Pólo Sul, embora Scott não tenha localizado a rota exata. Condecorado pela Royal Geographical Society, ele voltaria à Antártida em 1911, para sua última viagem, a bordo do navio Terra Nova.

Enquanto Scott se preparava para conquistar o Pólo Sul, Amundsen organizava dezenas de cachorros e seu navio, o Fram, para atacar o Pólo Norte. Os preparativos para a viagem já estavam prontos quando chegou a notícia da conquista de Peary. Amundsen mandou um telegrama a Scott sobre a mudança de planos. Seu objetivo, agora, era o Pólo Sul. Começava a corrida.

A viagem do Fram seguiu planejamento impecável. Com cães esquimós e homens acostumados ao frio intenso, Amundsen aportou na Baía das Baleias, 96 quilômetros mais próximo do pólo que Scott, que desembarcara mais a leste. Scott levou pôneis da Manchúria, o que acabou atrasando sua marcha rumo ao pólo. Mais pesados, os pôneis não passavam pelas fendas no gelo.

Amundsen partiu para o pólo no dia 19 de outubro, com quatro homens e 52 cães, que foram abatidos na viagem para alimentar os demais. Na tarde de 14 de dezembro o grupo norueguês atingiu a latitude de 90º Sul. "Assim se rasgou para sempre o véu e um dos maiores segredos da Terra deixou de existir", escreveu Amundsen. Scott e seus homens atingiram o planalto polar somente em dezembro. Além do atraso com os pôneis, Scott incluiu um homem de última hora no grupo, aumentando a carga dos trenós. O sonho britânico acabou quando o grupo encontrou a bandeira norueguesa tremulando no pólo.

Não bastasse isto, no retorno, morreram dois de seus companheiros. Os três restantes, entre eles Scott, estabeleceram seu último acampamento em 19 de março de 1912, onde, imobilizados por permanentes tempestades, morreram de frio e fome a apenas dezoito quilômetros de um refúgio com provisões especialmente preparadas para eles. A tragédia de Scott foi tão marcante quanto a façanha de Amundsen. Numa justa homenagem a estes dois heróis dos tempos modernos, a estação americana, localizada atualmente junto ao marco geográfico do Pólo Sul, chama-se Amundsen-Scott.


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