burburinho

os livros da magia

quadrinhos por Luis Gustavo Claumann

Um garoto inglês de doze anos que possui uma coruja de estimação e pode tornar-se o mago mais poderoso do mundo. Coincidência ou não, a descrição acima aplica-se tanto a Tim Hunter, personagem de Neil Gaiman surgido em Os Livros da Magia, cuja publicação original data de 1990, como a Harry Potter, criação da escritora inglesa J. K. Rowling e cujo primeiro livro foi publicado em 1997. No entanto, o próprio Gaiman afirmou, em entrevista dada em 1998, que não acredita ter sido vítima de plágio. Segundo suas palavras, "não são as idéias, o que você faz com elas é o que realmente importa".

Os Livros da Magia rendeu a Neil Gaiman o Eisner Award de melhor roteirista em 1992, e foi publicada no Brasil pela editora Abril Jovem. No primeiro dos livros, chamado O Labirinto Invisível, Timothy Hunter é levado até o início de tudo, passando pela queda de Lúcifer, e ao tempo em que a Terra era um ponto côncavo, habitado por entes da velha linhagem, chamados de pré-mortos ou demônios, incluindo também todo o passado mitológico da civilização. A arte de John Bolton motiva ainda mais o leitor a querer conhecer mais detalhes do que é transmitido quase que por tópicos, os princípios da magia.

No segundo dos livros, O Mundo das Sombras, John Constantine (sim, o mesmo personagem de Hellblazer) mostra que junto ao mundo conhecido, existe outro, habitado por fantasmas, bruxas, lobisomens e outros bichos estranhos. Magia é enxergar o mundo real através das sombras. Scott Hampton, como ilustrador, não deixa a peteca cair, mostrando que o mundo não é o local racional que imaginamos.

No Livro III, chamado de No Crepúsculo de Verão, o roteiro segue pelo Reino Encantado, acessível por caminhos comuns a vários planos, e onde a arte de Charles Vess nos remete à lembrança de livros sobre fadas e duendes. Por sinal, seres abundantes nas páginas onde não se pode pedir nada, nem aceitar comida ou favores, onde a etiqueta é importante e uma indelicadeza pode valer um par de orelhas de burro ou coisa pior, e de onde jamais se pode desviar do caminho. Um mundo onde há sempre o crepúsculo de verão, e outros lugares além, um mundo que não é este mundo.

Finalmente, no quarto livro, Estrada Para Lugar Nenhum, Mister Io apresenta o futuro, ou os futuros. Épocas malignas, onde homens procriam com criaturas piores que animais, até milhões de anos no futuro, onde o que resta são criaturas verdes cavando a sobrevivência num solo de onde todas os nutrientes foram sugados há muito e em mares que mal suportam a vida marinha. Em nosso tempo existe o desvio para o vermelho, as estrelas e galáxias se afastam num universo em expansão. No momento em que o universo está acabando, o desvio é para o azul, quanto tudo retorna ao centro. Todos fragmentos de possibilidades.

Seja você fã ou não das aventuras de Harry Potter, vale a pena procurar por alguma edição disponível para descobrir se Timothy Hunter optou realmente pelos caminhos da magia. Se você nunca ousou se aventurar pelos mundos criados pelo mestre Neil Gaiman, este trabalho é uma excelente introdução.


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