burburinho

slint

música por Ana Alice Colonetti

Formada originalmente pelo guitarrista e vocalista Brian McMahan e pelo baterista Britt Walford, que até então tocavam numa obscura banda chamada Squirrel Bait, e ainda pelo guitarrista David Pajo e pelo baixista Ethan Buckler, o Slint é tido hoje como referência para um grande número de bandas da geração pós-anos-noventa. A descoberta tardia que a banda sofreu, principalmente em função da explosão do gênero post-rock, supostamente inventado pelo próprio Slint, é proporcional ao ofuscamento devido à mega exposição das bandas de Seattle, na virada dos anos oitenta para os noventa. O Slint já fazia, em 1988, um rock com estilo meio gótico, com quebras de ritmo intrincadas, longos e tensos trechos instrumentais, vocais falados ao invés de cantados e camadas crescentes de peso e distorção. Difícil pensar em Mogwai, Don Caballero e June of 44 sem considerar a influência do Slint.

O primeiro disco, Tweez, despertou atenção no underground americano ao apresentar sonoridade caótica e difícil classificação, auxiliada pelas mãos do produtor Steve Albini, famoso estourador de tímpanos mais conhecido pelo seu trabalho com o Pixies e o Nirvana. A banda foi original inclusive no momento de batizar as suas composições. Cada faixa ganhou o nome de um parente ou animal de estimação dos membros do grupo. Após a gravação, Ethan Buckler deixou o grupo para formar sua própria banda, o King Kong, cedendo o contrabaixo para Todd Brashear.

Spiderland, de 1991, é considerado a obra-prima da banda. São apenas seis longas canções, com destaque para Nosferatu Man, uma das mais pesadas, que ficaria excelente como trilha de cinema expressionista alemão, com direito a um refrão que provoca vontade de sair chutando tudo em volta, acompanhamento ideal pra reduzir uma cadeira a serragem com um taco de beisebol. Washer é uma balada cavernosa de oito minutos que parece sempre prestes a explodir, mas mantém a tensão até o fim. Good Morning Captain é a canção que encerra o disco e é talvez uma das mais apreciadas da banda. Sete minutos de tensão crescente até o final devastador, com os berros arrepiantes de "I miss you".

Depois da separação ocorrida em 1993, onde cada membro tomou um rumo distinto, o Slint se reuniu para alguns shows em 2005, inclusive na edição inglesa do All Tomorrow's Parties, onde os fãs puderam comprovar ao vivo todas as virtudes da banda, que continuava alternando momentos de melodia com distorções inaudíveis.


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