burburinho

fahrenheit 451

livros por Nicole Cabral

Em 1950, Ray Bradbury, um dos maiores escritores americanos de ficção-científica, publicou o conto chamado O Bombeiro. Em 1953, este conto foi reformulado e transformado no romance Fahrenheit 451, que anos depois foi adaptado para o cinema por François Truffaut.

O livro conta a história de uma corporação de bombeiros que são encarregados de queimar qualquer tipo de material impresso que encontrem pela frente, a mando do Estado totalitário. Toda literatura era considerada propagadora de infelicidade porque, enfim, "não deve prevalecer nenhuma diferença entre as pessoas". Contudo, um grupo de pessoas decide decorar, cada um, uma grande obra da literatura universal. Desta forma, clássicos de Henry Miller, Tolstoi, Sartre, Camus, Hemingway, Fritzgerald, entre outros, podem permanecer vivos mesmo sem edições impressas. Quando alguém deseja saber sobre algum livro, basta dirigir-se à pessoa que o havia decorado e ouvir trechos ou mesmo a obra inteira.

Um dos bombeiros encarregados de queimar livros fica tocado ao ver uma mulher preferir ser queimada com sua biblioteca, a permanecer viva. Decide então saber o que havia de tão ruim nos livros para que fossem proibidos. Com isto, descobre um mundo onde os pensamentos e opiniões são livres, e adere à luta contra o Estado.

O autor trata de maneira irônica o futuro da humanidade em meio a grandes invenções tecnológicas da década de cinqüenta e critica a avassaladora influência da TV nos lares norte-americanos e a manipulação de informações. A temperatura que dá nome ao livro, Fahrenheit 451, é o nível que atingem as folhas dos livros quando queimam em fogo alto. Esta obra consagrou Bradbury quando foi adaptada por François Truffaut e Jean Louis Richard para o cinema. Contudo, o roteiro não agradou ao autor, pois era voltado para o lado filosófico da obra, o que fez com que os efeitos especiais fossem deixados de lado, efeitos estes que, no livro, são as verdadeiras estrelas da história.

A obra de ficção científica distingue-se por não tratar de robôs, naves espaciais ou viagens interplanetárias e sim por falar de uma sociedade futurista onde imperam a futilidade e alienação, tornando-se atual mesmo tendo sido escrita há mais de meio século. Ray Douglas Bradbury, escritor, ensaísta, poeta e roteirista, nasceu em Waukegan, cidadezinha de Illinois, em 22 de agosto de 1920.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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