burburinho

todas as coisas são belas

cinema por Luis Gustavo Claumann

Ambientada nos anos quarenta e sublinhada pela música de Händel, esta produção sueco-dinamarquesa dirigida por Bo Widerberg apresenta um quadro de luxúria, fracasso e repressão com poética serenidade. Todas as Coisas São Belas (Lust Och Fägring Stor, Dinamarca-Suécia, 1995) mostra como o desejo pode confundir as emoções de um rapaz de quinze anos, e é carregado de sensualidade.

Stig (Johan Widerberg) chega a Malmo, vindo de Estocolmo, e inicia os estudos em escola rígida, mas mas não o bastante para que uma bela professora deixe de iniciá-lo no amor. Ela é Viola (Marika Lagercrantz), de beleza plácida e madura. Aos 37 anos, é casada com Kjell (Tomas Von Brömsen), um caixeiro-viajante alcoólatra, vendedor de lingerie, consciente de seu fracasso como homem e marido, e que passa os dias inventando inutilidades, como um relógio cuco que ao bater despeja uma dose de rum em um copo.

Quando Stig o conhece, a amizade que nasce entre os dois muda os rumos da relação adúltera. O convívio com seu suposto antagonista desperta em Stig o gosto pela música clássica e pelo próprio rum, e lhe ensina o valor de uma amizade. Então, o garoto começa a questionar seu relacionamento com Viola, ainda mais que Lisbet (Karin Huldt), uma garota de sua idade, mostra-se atraída por ele. Stig decide terminar o romance com a professora e ela reage violentamente, dando um rumo inesperado à trama.

Obra autobiográfica do diretor Widerberg, que coloca seu filho no papel dele mesmo, foi indicada para o Oscar de melhor filme estrangeiro, ganhou diversos prêmios em Berlim e realmente possui inegáveis qualidades. Vale a pena conferir e perceber que muitas vezes a maturidade pode chegar bem antes para alguns. E que ser adulto nem sempre significa ter as respostas para tudo, uma das doces ilusões da infância. Widerberg morreu logo após a conclusão da produção. No cinema sueco, tentou encarnar uma linha de oposição a Ingmar Bergman, carregando no social em filmes como Adalen 31 e O Desejo Final. Mas seu filme mais famoso é Elvira Madigan, de 1967, com trama romântica embalada na música de Mozart.


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