burburinho

leis epigramáticas - parte 3

miscelânea por Nemo Nox

Território fértil para a criação e divulgação de memes, a internet gerou também várias leis epigramáticas referentes ao ela mesma ou ao mundo da informática.

Lei de Linus:
"Dados olhos suficientes, todos os erros são triviais."

O nome homenageia Linus Torvalds, o finlandês que criou o sistema operativo Linux, mas a frase foi cunhada por Eric S. Raymond em seu livro A Catedral e o Bazar. Por trás deste enunciado um pouco obscuro esconde-se o conceito de cooperação que forma a base do open source e da própria internet: com um grande número de colaboradores (desenvolvedores e testadores, os olhos), qualquer problema no sistema pode ser detectado e corrigido.

Curiosamente, num livro posterior, The Hacker Ethic, Linus Torvalds menciona uma Lei de Linus diferente: todas as nossas motivações caem em três categorias, sobrevivência, vida social e diversão. Mesmo assim, ainda é a criada por Raymond a que vem à mente da maior parte dos internautas quando falamos em Lei de Linus.

Lei de Metcalfe:
"O valor de um sistema de comunicação cresce ao quadrado do número de usuários do sistema."

Robert Metcalfe foi o fundador da empresa de telecomunicações 3Com e inventor do sistema Ethernet de redes locais. Sua formulação sobre o valor de sistemas de comunicação é freqüentemente explicada com o exemplo dos telefones. Se você for o único com um aparelho de telefone, sua utilidade é quase nula. Se uma segunda pessoa tiver outro aparelho, o seu passa a ter alguma utilidade. Se uma terceira e uma quarta pessoa também tiverem aparelhos, começam a multiplicar-se as coisas que você pode fazer com o seu, e assim sucessivamente. Claro que a aplicação mais óbvia e mais contemporânea da Lei de Metcalfe é a própria internet.

Há quem defenda a Lei de Metcalfe como o melhor enunciado para demonstrar o valor do comportamento emergente criado, por exemplo, pelas cada vez mais populares redes sociais online ou pelo crescente emaranhado de weblogs. Mas existem também os detratores que acusam Metcalfe de não levar em consideração o fator humano, já que enquanto máquinas são capazes de múltiplas trocas de informação praticamente simultâneas as pessoas por trás delas ainda estão presas a formas de processamento mental mais lentas e sujeitas a mais ruídos de comunicação e perda de atenção.

Lei de Godwin:
"Quanto mais se alongar uma discussão online, maior a probabilidade de alguém fazer uma comparação com Hitler ou com nazistas."

A Lei de Godwin surgiu nos longínquos tempos da Usenet, mais especificamente em 1990, mas continua válida e muito citada para listas de discussão por email ou fóruns de debate online. Mike Godwin, autor do livro Cyber Rights - Defending Free Speech in the Digital Age, incomodado com o que considerava um excesso de referências ao nazismo, formulou sua lei como uma provocação destinada a fazer pensar melhor antes de escrever mais uma comparação com Hitler ou com nazistas. Tornou-se comum declarar perdedor de alguma discussão o primeiro que fizer a aparentemente inevitável comparação e confirmar a Lei de Godwin.

Lei de Ugol:
"Se você perguntar 'sou o único com esta tara?', a resposta será invariavelmente negativa."

Mais uma lei epigramática surgida na Usenet no início dos anos noventa, de autoria de Harry Ugol (cuja fama, aparentemente, não foi muito além desta paternidade). Numa discussão sobre taras e fetiches, ao ser confrontado com a pergunta "serei o único?", escreveu: "na minha experiência, a resposta a essa pergunta nunca foi 'não', nem uma só vez". A partir daí, como acontece muitas vezes no ciberespaço, o meme cresceu e espalhou-se em mais de uma forma. Outro enunciado comum para a Lei de Ugol é "para qualquer tara, ou ninguém a tem ou mais de uma pessoa a tem", mas talvez o mais simples, mais abrangente e mais contundente ainda seja "você não é o único".


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