burburinho

frases famosas em idiomas fictícios

miscelânea por Nemo Nox

Não é fácil criar uma frase memorável num livro ou num filme, daquelas que são repetidas por todos os lados e se tornam parte da cultura popular. Mais difícil ainda é fazer isso num idioma fictício, inventado pelo próprio autor para sua obra. Mesmo assim, algumas pérolas lingüísticas deste tipo já ficaram marcadas para a posteridade.

Kreeg-ah Bundolo!

Edgar Rice Burroughs publicou em 1914 o primeiro de uma série de 24 livros sobre o rei das selvas, Tarzan of the Apes. Órfão de aristocratas ingleses, o protagonista Tarzan foi criado por um grupo de macacos na África do século XIX. Burroughs inventou sua própria espécie de símios, os mangani, e criou para eles uma linguagem rudimentar. O próprio nome Tarzan significa, neste idioma dos macacos, "pele branca". A frase mais famosa da língua mangani, talvez por ser a mais repetida, é "Kreeg-ah Bundolo", que pode ser traduzida como "cuidado matar", ou "perigo matar", ou ainda "perigo inimigo". No Brasil, grafada como "Krig Ha Bandolo", a expresão foi título de disco do Raul Seixas em 1973.

Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn.

H.P. Lovecraft escreveu vários livros de horror, criando o que ficou conhecido como "os mitos de Cthulhu", uma coleção de divindades ancestrais assustadoras (Azathoth, Yog-Sothoth, Shub-Niggurath, etc) com seguidores nem sempre completamente humanos. E para que os adoradores pudessem falar com seus deuses, ele inventou também um idioma (ou parte dele), do qual a frase "ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn", do conto The Call of Cthulhu, é uma das mais lembradas e mais repetidas. Significa "em sua casa em R'lyeh, Cthulhu morto espera sonhando".

Heghlu'meH QaQ jajvam.

Os maiores vilões da série de televisão dos anos sessenta Star Trek eram os klingons. Quando ganharam papel de destaque no longa-metragem Star Trek II: The Wrath of Khan, de 1982, a Paramount Pictures contratou o lingüista Marc Okrand para criar as frases em idioma alienígena e para ensinar os atores a pronúncia correta. O idioma klingon encantou os fãs e desenvolveu-se ao ponto de ter um dicionário (The Klingon Dictionary, do próprio Okrand), um livro de provérbios (The Klingon Way, também do Okrand), um guia para viajantes (Klingon for the Galactic Traveler, Okrand mais uma vez) e até mesmo um instituto de pesquisas (The Klingon Language Institute, que já publicou versões klingon de Hamlet e Gilgamesh, entre outros). Não é fácil escolher uma só frase entre as mais populares, mas "Heghlu'meH QaQ jajvam" captura muito da cultura klingon: "Hoje é um dia bom para morrer."

Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul,
ash nazg thrakatulûk, agh burzum-ishi krimpatul.

J.R.R. Tolkien elaborou mais de quinze idiomas para as civilizações que aparecem em The Lord of the Rings e nos outros livros que tratam do mesmo universo ficcional. Esta base lingüística serviu-lhe de inspiração na criação de um mundo variado e detalhado, com história e mitologia próprias. As línguas faladas pelos elfos, Sindarin e Quenya, são as mais famosas, mas a frase mais significativa de toda a obra, e elemento principal de The Lord of the Rings, é em Black Speech (a Língua Negra, criada pelo arqui-vilão Sauron para se comunicar com seus servidores): "Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul, ash nazg thrakatulûk, agh burzum-ishi krimpatul." ("Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisoná-los.")

Klaatu Barada Nikto.

O filme The Day the Earth Stood Still, de 1951, dirigido por Robert Wise, é um clássico da ficção-científica. Conta a história de um extraterrestre, Klaatu, que vem à Terra tentar convencer os líderes do planeta a acabar com as guerras e viver em paz. Acompanha-o um robô, Gort, programado para defendê-lo. Temeroso que sua morte faça com que Gort se vingue da população do planeta causando enorme destruição, Klaatu ensina à sua amiga terráquea Helen as palavras a serem ditas a Gort para evitar a tragédia: "Klaatu Barada Nikto". A expressão ficou famosa e até hoje é usada nos mais diversos contextos, de bandas de rock a jogos de computador. A frase foi também usada em outros filmes, inteira (em Army of Darkness, por exemplo, é o encantamento que deve ser pronunciado por Bruce Campbell) ou em partes (nos filmes da série Star Wars, por exemplo, há um personagem chamado Barada e uma raça alienígena chamada Nikto).


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