burburinho

sociedade de justiça da américa

quadrinhos por Ricardo Bittencourt

É incrível como idéias que para nós são óbvias demoraram anos para surgir. Tomemos como exemplo o filme dos X-Men. Hoje em dia, ninguém estranha o fato do filme contar a história de um grupo de super-heróis mutantes. Já na década de trinta, isso seria uma novidade! Não tanto pelo conceito de mutantes, afinal as teorias de Darwin já eram bem conhecidas, mas sim pelo conceito de grupo de super-heróis.

Quando os super-heróis surgiram, em 1938, suas histórias eram curtas, raramente passando de dez páginas. O gibi da época tinha a forma de antologia, agrupando os heróis por temas comuns. O Super-Homem, por exemplo, era publicado na Action Comics, enquanto o Batman tinha suas histórias mostradas na Detective Comics. Porém, esse formato tinha um problema: um leitor da Action Comics jamais saberia da existência do Batman, e assim não teria motivos para comprar a Detective. A solução adotada foi elegante: criou-se uma nova revista, All-Star Comics, que publicaria histórias sem um tema comum. Dessa maneira, uma edição de All-Star poderia ter tanto histórias do Super-Homem quanto do Batman, e o leitor que gostasse dos novos heróis passaria também a comprar sua revista principal.

Nos dois primeiros números da All-Star, as histórias eram simplesmente agrupadas na revista, sem que houvesse relação entre elas. A revolução surgiria somente no terceiro número da revista, no fim de 1940, quando o escritor Gardner Fox criou uma maneira de interligar quaisquer histórias que fossem publicadas. Naquela edição, o leitor foi apresentado ao primeiro super-grupo dos quadrinhos: a Sociedade de Justiça da América (Justice Society of America). Diferente dos grupos atuais, onde heróis se unem para combater um mal comum, naquela época a Sociedade era apenas um clube de super-heróis, onde todos sentavam em volta de uma mesa para contar causos.

Mais adiante, os heróis da Sociedade começaram a cumprir missões em grupo, mas ainda assim o formato de histórias individuais foi preservado. No começo da história, os heróis eram apresentados ao vilão, depois se separavam em missões individuais, e só final juntavam-se novamente para agir em conjunto. Entre os primeiros integrantes da Sociedade estavam Flash, Lanterna Verde, Átomo e Sandman. Super-Homem e Batman eram membros honorários e apareciam esporadicamente.

As histórias da Sociedade de Justiça servem também como relato histórico dos costumes da época. Na fase mais intensa da Segunda Guerra, a Sociedade de Justiça mudou de nome, chamando-se agora Batalhão de Justiça, e enfrentando principalmente nazistas. Além disso, na edição doze de All-Star Comics, em setembro de 1942, a Mulher Maravilha entra para o grupo. Mas não como membro da Sociedade, e sim como secretária: um reflexo da sociedade machista da época.

As histórias da Sociedade de Justiça foram publicadas até março de 1951, quando a popularidade dos super-heróis estava diminuindo. A revista All-Star Comics foi substituída por All-Star Western, e a Sociedade só seria vista novamente em junho de 1963, na revista Flash #137, que foi também o marco inicial dos encontros anuais entre a Sociedade de Justiça e a recém formada Liga da Justiça.


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