burburinho

yousuf karsh

fotografia por Nemo Nox

Se Nadar foi o grande retratista de personalidades do início do século XX, este título com certeza passou para as mãos do armêmio Yousuf Karsh. Nascido em 1908 num país assolado pela guerra com os turcos, Karsh foi levado por um tio para o Canadá em 1924. Em Quebec, estudou fotografia, e em Ottawa, abriu seu estúdio em 1932, mantendo-se em atividade profissional até aposentar-se em 1992.

Seus retratos ficaram logo conhecidos, e vários políticos de passagem pelo Canadá iam ao seu estúdio para serem fotografados. Foi assim que Karsh fez o célebre retrato de Churchill em 1941, que se transformou em capa da revista Time e garantiu o futuro do fotógrafo. A quantidade e variedade de ricos e famosos fotografados por Karsh é impressionante: príncipe Rainier e princesa Grace de Mônaco, rei George VI e rainha Elizabeth da Inglaterra (esta última fotografada quando ainda era princesa), Giscard d'Estaing, François Miterrand, Jean Paul Belmondo, Alain Prost, papa João Paulo II, Sofia Loren, Pablo Picasso, Bernard Shaw, Ernest Hemingway... a lista é interminável. Mas mais impressionante ainda é como ele conseguiu captar seus modelos de tal forma que seus retratos moldam-se quase sempre como definitivos. Qual o segredo? Responde Karsh: "Para fazer fotografias duradouras, é necessário aprender a ver com o olhar da própria mente, porque o coração e a mente são as verdadeiras lentes da câmara."

Karsh publicou vários livros com seus retratos e expôs por todo o mundo, tendo sua obra em museus como a National Gallery of Canada e o Museum of Modern Art de Tóquio. Apesar de suas fotos serem tecnicamente impecáveis, Karsh sempre insistiu que o mais importante está nas pessoas, na que fotografa e na que é fotografada, e não no equipamento que se interpõe.

"O infinito fascínio das pessoas que fotografo, constitui para mim aquilo que chamo a sua força interior. Faz parte do mistério que se esconde em todos, e tem sido o trabalho da minha vida tentar captá-lo no filme. A imagem que oferecemos aos outros, e muito freqüentemente a nós próprios, pode existir só por um segundo, revelando essa força, através de um gesto inconsciente, um franzir de sobrancelha, na surpresa de uma resposta, ou num momento de descanso. Isso é o momento para recordar."


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