burburinho

rainbow, a melhor dissidência do deep purple

música por Luis Gustavo Claumann

Mesmo quem acompanhou toda a trajetória da banda britânica Deep Purple teria dificuldades para citar o nome de todos os músicos que já fizeram parte do grupo. Pouco conhecidos, por exemplo, são dois componentes da primeira formação, o vocalista Rod Evans e o baixista Nicky Simper, que chegaram a gravar os três primeiros álbuns com o tecladista Jon Lord e o guitarrista Ritchie Blackmore.

Foi em 1975 que o Deep Purple teve seu maior revés. Blackmore deixou o grupo, e a banda se separou pouco depois. Ali começou o embaralhamento de bandas: Lord, Paice e Coverdale tocariam juntos no Whitesnake, Blackmore formaria o Rainbow, Gillan gravaria com o Black Sabbath. O Whitesnake, com David Coverdale, chegou a fazer razoável sucesso no Brasil, em parte graças a uma bela apresentação na primeira edição do Rock in Rio. O mesmo não aconteceu com o Rainbow, numa das grandes injustiças em nosso território.

Chateado com o que considerava como "influências funk" no Deep Purple, Blackmore provocou o fim da banda ELF ao convocar o vocalista Ronnie James Dio para um novo projeto. A princípio, todos os componentes do ELF foram convidados, mas com o tempo foi possível perceber que esta não era a intenção do genioso guitarrista. Depois da gravação de Black Sheep of the Family, Blackmore foi promovendo substituições, que culminaram com a formação que estaria no disco de estréia do Rainbow, Ritchie Blackmore's Rainbow, cujo melhor momento é a canção Man on the Silver Mountain.

Neste primeiro trabalho, destaque para os temas medievais das músicas de Blackmore, que ficaram perfeitos na interpretação de Dio. Essa seria, por sinal, a tônica do grupo também no segundo álbum. Com a entrada do baterista Cozy Powell, o Rainbow lançou um trabalho que, sem dúvida, está entre os melhores de toda a história do rock, Rising. Impossível escolher uma canção de destaque num disco perfeito. Tarot Woman, Starstruck e a magnífica Stargazer deveriam fazer parte da educação musical de todo jovem de treze anos. E isso vale principalmente para a turma que curte esse novo heavy metal que funde guitarristas virtuosos com temas clássicos. Muito antes dessa xaropada toda, o Rainbow chegava à perfeição.

Um álbum ao vivo, On Stage, com direito ao tema do Mágico de Oz na abertura, e outro, com novas composições, intitulado Long Live Rock'n'Roll, completaram a fase com Dio na banda, que saiu para assumir os vocais do Black Sabbath. A partir disto, o Rainbow perdeu boa parte de seu brilho e passou a lançar discos que não merecem muita atenção, exceto por parte de fãs radicais. Talvez a única interpretação interessante seja, curiosamente, o instrumental de Difficult to Cure, na verdade uma versão poderosa ao extremo da Nona Sinfonia de Beethoven, que chegou a ser utlizada no Brasil como trilha de um comercial da cerveja Skol.

Como toda banda de rock, o Rainbow também teve suas histórias de confusões. Não bastasse o estilo antipático de Blackmore, famoso por virar as costas para os fãs que buscavam um autógrafo ou mesmo um simples sorriso por parte do guitarrista, houve também a destruição de um quarto de hotel na Alemanha, durante a turnê de Rising, quando Cozy Powell tentou pregar uma peça num promotor dos shows da banda. Armado de um extintor de incêndio, o baterista escalou a parede do hotel pelo lado de fora, abriu a janela onde imaginava estar o quarto do promotor e acionou a "arma". Para sua surpresa, na manhã seguinte, o promotor apareceu como se nada tivesse acontecido. E com ele nada tinha acontecido mesmo. A janela em questão era a do quarto de um empresário alemão que teve que sair de lá direto para o hospital. Não bastasse isso, o grupo ainda teve que arcar com vinte e cinco mil dólares para pagar os prejuízos de praticamente todo o décimo andar do hotel.

Vida longa ao rock'n'roll!


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