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jacob riis

fotografia por Nemo Nox

Nos dias de hoje é comum vermos um fotógrafo registrando os segmentos menos favorecidos da sociedade. O escritor Ramón Gómez de la Serna chegou a dizer que "o ideal do aficcionado da fotografia é possuir a melhor máquina para tirar fotos de miseráveis". Mas no século passado as coisas eram um pouco diferentes. Com equipamentos caros e pesados, nenhum fotógrafo se aventurava pelas regiões mais pobres da cidade, e durante algum tempo a fotografia permaneceu como um brinquedo das classes abastadas. O norte-americano Jacob Riis (1849-1914) achou que estava na hora de mudar isto.

Autodidata, durante cerca de dez anos Riis documentou favelas, guetos de imigrantes miseráveis, em condições de semi-escravidão e sem o mínimo de condições sanitárias. Suas fotos, chocantes para a época, ajudaram a mobilizar a opinião pública em favor de leis relativas a educação, trabalho e moradia.

Nascido na Dinamarca numa família grande e pobre, Riis trabalhou como carpinteiro antes de migrar em 1870 para os EUA, a anunciada terra da oportunidade. Mas, para a maioria dos imigrantes, as coisas não eram bem assim, e Riss sentiu na própria pele a pobreza e o preconceito. Somente em 1873 conseguiu um emprego razoável, numa agência de notícias. Quatro anos depois, tornou-se repórter policial da New York Tribune. Com a câmara na mão, dedicou seu tempo livre a documentar as favelas da cidade. Fez isto de forma determinada e sistemática, e em 1884 conseguiu que fosse formada uma comissão para tratar dos problemas de habitação, a Tenement House Commission.

Em 1888, Riis trocou de emprego e foi para o jornal Evening Sun. Começou a preparar seu livro How the Other Half Lives (Como Vive a Outra Metade). Ele era um homem com uma missão: denunciar as condições sub-humanas a que estava submetida uma substancial fatia da sociedade. Escrevia textos de teor altamente político e os ilustrava com suas fotos, que eram somente um instrumento. Mesmo assim, acabou sendo pioneiro de algumas técnicas, como por exemplo o uso de flash a base de pó de magnésio, que o permitia fotografar à noite ou em interiores escuros.

Como a pobreza nunca acabou, também o trabalho de Riis nunca teve pausa. Ele seguiu fotografando e escrevendo sempre sobre o mesmo assunto, até morrer aos 65 anos vítima de um ataque cardíaco. Deixou mais de uma dúzia de livros publicados e o seu nome na história da fotografia. Jacob Riis ficou conhecido como "o emancipador das favelas".


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