burburinho

pantaleão e as visitadoras

cinema por Luis Gustavo Claumann

O filme Pantaleón y las Visitadoras (Peru-Espanha, 2000), dirigido por Francisco J. Lombardi, é a segunda adaptação do romance do escritor peruano e Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa - a primeira é de 1975. Tudo começa quando o exército peruano, preocupado com o alto número de estupros cometidos por seus soldados, resolve colocar em prática um plano simples para resolver o problema: a utilização de prostitutas, levadas de barco para os cantos mais longínquos da Amazônia, onde estão os bravos e desesperados homens responsáveis pela vigilância das fronteiras.

Só que, para recrutar a mulherada e comandar a missão, os caras escolhem Pantaleão Pantoja (Salvador del Solar), um homem exemplar, íntegro e discreto, que sempre cumpriu e honrou os seus deveres. Tanto em casa, onde é um marido dedicado e atencioso, quanto no trabalho, onde cumpre as determinações de seus superiores sem pestanejar. A intenção, a princípio, é escolher exatamente alguém que não se "envolveria" demais com o trabalho. O simples cruzamento de universos tão distintos - a disciplina militar com a libertinagem de um ambiente de prostituição - já é suficiente para um número grandioso de situações que fazem a sala vir abaixo. Mas o filme não é apenas engraçadinho. O filme é, de fato, interessante, inteligente, gostoso de se ver.

O enredo guarda surpresas inusitadas, que fazem com que a selva peruana se torne ainda mais quente para os envolvidos. Uma operação do tipo não tem como passar despercebida pela população civil ou pela imprensa local, mostrada na pele de um radialista sem escrúpulos. E mesmo um homem determinado pelo dever e pontuado pela honra, como Pantaleão, acaba fritando os miolos quando encontra a prostituta conhecida como La Colombiana, numa interpretação de Angie Cepeda que ganhará muita atenção por parte do público masculino.

O poder da imprensa e a hipocrisia de instituições sociais que se consideram exemplares, como o exército e a igreja, são bordados na película e caracterizam-se como seu fio condutor. Problemas fundamentais de um país parecido com o nosso, como prostituição, analfabetismo, violência sexual e corrupção, são abordados de forma sutil pelo diretor, mas não com descaso. De forma genial, tudo isso é apresentado com uma embalagem de comédia pastelão que é diversão pura.

O filme foi um sucesso de grandes proporções no Peru e em alguns países da América Latina, como o Chile. Em 2000, ano de sua estréia peruana, foi o campeão de bilheteria do ano, com 740 mil ingressos vendidos. A título de comparação, no ano anterior, o arrasa-icebergs Titanic atraiu 900 mil pessoas aos cinemas do país.


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