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nadar

fotografia por Nemo Nox

Se vivesse hoje, o francês Gaspard-Felix Tournachon certamente teria um programa de televisão e um site concorridíssimo na internet. Como sua vida transcorreu entre 1820 e 1910, foi somente fotógrafo, caricaturista, escritor, jornalista, adepto de esportes radicais para a época (como o balonismo) e socialite com acesso a todas as áreas da sociedade parisiense. Graças a esta intimidade com os ricos e famosos, entrou para a posteridade como Nadar, retratista de grandes personalidades.

NadarApesar de nascido em Paris, quando Nadar tinha dezoito anos sua família voltou para Lyon, de onde era originária, e ali o jovem Gaspard-Felix começou sua carreira jornalística como crítico de teatro. Não tardou para que voltasse sozinho à efervescência de Paris e mergulhasse na vida desregrada que os artistas da época tinham por obrigação levar. Teve vários empregos, de balconista a contrabandista, mas nunca deixou de escrever, e em breve sua carreira jornalística já contava com muitos artigos, contos e ensaios, publicados em jornais e revistas da capital francesa.

Sempre com espírito aventureiro, alistou-se na Legião Polonesa, um grupo de exilados poloneses e simpatizantes franceses que partiu rumo à Polônia para liberar o país no mais puro estilo guerrilheiro. Para sorte de todos os envolvidos, foram presos ao passarem pela Alemanha e enviados de volta para a França.

Sarah BernhardtNovamente em Paris, Gaspard-Felix começou a fazer caricaturas de personalidades da época, e passou a usar o pseudônimo Nadar. Talvez inspirado por isto, ou talvez seguindo os passos de seu irmão mais novo, Adrian Tournachon, que era fotógrafo, em 1854 montou seu próprio estúdio fotográfico. O negócio dos retratos transformou-se num grande sucesso, e logo Nadar transferia-se para um luxuoso novo estúdio no badalado Boulevard des Capucines. Todos os ricos e famosos queriam sua foto com a griffe Nadar. Entre os melhores retratos feitos por nadar temos os de Charles Baudelaire, Gustave Doré, Georges Sand, Sarah Bernhardt e, é claro, seus auto-retratos. Menos conhecidas mas não menos interessantes são as fotos que fez nos esgotos de Paris, mostrando, mais uma vez, a versatilidade do artista.

Georges SandPor volta de 1863, Nadar interessou-se pelo vôo, tornando-se presidente da Sociedade para o Encorajamento da Locomoção Aérea Através de Máquinas Mais Pesadas Que o Ar. O secretário desta organização de nome nada sucinto era ninguém menos que Jules Verne. Esta aventura, que incluiu a construção de um balão no qual Nadar fez suas primeiras fotos aéreas e que foi destruído num acidente logo em sua segunda viagem, juntamente com os bloqueios comerciais da guerra franco-prussiana, acabou levando o fotógrafo a uma péssima situação financeira, e em 1871 ele teve que deixar seu querido estúdio e acabou entregando os negócios da família ao filho Paul Tournachon, também fotógrafo.

Nadar morreu com quase noventa anos, e deixou sua marca não só em retratos fotográficos notáveis mas também no modelo de viver ao máximo suas paixões.


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