burburinho

lászló moholy-nagy

fotografia por Nemo Nox

Ele não era um fotógrafo. Ou melhor, ele não era somente um fotógrafo. Para László Moholy-Nagy, inexistiam limites entre fotografia, pintura, arquitetura e tantas outras artes às quais se dedicou. Sua visão eclética e global foi fundamental em pelo menos duas das mais importantes escolas de artes visuais deste século, a Bauhaus alemã e o Chicago Institute of Design.

Nascido na Hungria em 1895, László ingressou no curso de Direito da Universidade de Budapeste aos 18 anos. Mas a Primeira Grande Guerra interrompeu seus estudos no ano seguinte e o mandou para a frente de batalha, onde seria gravemente ferido. Durante sua convalescença, László dedicou-se aos desenhos e às aquarelas. Mais tarde, com a República Soviética Húngara derrotada, o marxista Moholy-Nagy exilou-se em Berlim, onde entrou em contato com toda a efervescência cultural do momento, do Futurismo ao Dadaísmo, passando pelo Construtivismo de seu amigo El Lissitzky.

A década de vinte foi incrivelmente produtiva. Casado com uma fotógrafa, Lucia Moholy, não demorou para que László começasse a fazer suas primeiras experiências fotográficas. Com uma consistente base teórica, tratou de inovar: ousou na composição, abusou dos pontos de vista, divertiu-se misturando técnicas, e fez fotos sem usar câmara. Trabalhando na Bauhaus como diretor da oficina de metais, Moholy-Nagy continuou produzindo fotos, desenhos, esculturas, e ensaios teóricos. Em 1924, publicou Pintura, Fotografia, Filme, dentro da coleção de livros que ele mesmo editava na Bauhaus.

A ascenção do nazismo na Alemanha no início da década de trinta provocou uma revoada de talentos, e Moholy-Nagy não foi exceção. Refugiou-se em Amsterdam, tranferiu-se depois para Londres, e mais tarde foi para os EUA, seguindo um convite para organizar uma escola de design em Chicago. A primeira versão do projeto, batizada New Bauhaus, não durou mais que um ano. Mas László não desanimou e já no ano seguinte lançava The School of Design (hoje Chicago Institute of Design), onde passou a aplicar os conceitos desenvolvidos na Bauhaus original.

Apesar de na prática não ter produzido um trabalho fotográfico volumoso, sua contribuição teórica não cessou até morrer de leucemia em 1946, tendo publicado textos importantes como A New Instrument of Vision e Vision in Motion, entre outros.


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