burburinho

dorothea lange

fotografia por Nemo Nox

Algumas imagens tornam-se ícones culturais, e Migrant Mother assume este papel como a melhor representação fotográfica dos EUA do período posterior à grande depressão econômica e anterior à Segunda Guerra Mundial. O rosto enrugado e o olhar de preocupação da migrante californiana transmitem mais informação que qualquer ensaio sócio-econômico seria capaz. Longe de ser fruto de um clique de sorte, a foto faz parte de uma obra consistente trabalhada ao longo de vários anos. A autora? Dorothea Lange.

Nascida Dorothea Margaretta Nutzhorn, em 1895, na cidade de Hoboken, New Jersey, nos EUA, ela foi vítima da paralisia infantil, o que a deixou manca pelo resto da vida. Mais de uma vez, Dorothea afirmou que isto a deixou mais sensível em relação ao sofrimento alheio, aspecto fundamental no seu trabalho. Encorajada pelo fotógrafo Arnold Genthe, que lhe deu a primeira câmara, Dorothea começou como autodidata e mais tarde estudou fotografia na Columbia University. Profissionalmente, começou como fotofinalizadora, passou a fotografar como freelancer, e finalmente montou seu próprio estúdio em 1919, em Berkeley, na Califórnia.

Depois de mais de uma década fazendo retratos de estúdio, Dorothea não mais resistiu ao "chamado das ruas" e começou a documentar o povo de San Francisco. Isto a levou para o Centro de Reabilitação Rural da Califórnia e dalí para a Farm Security Administration (FSA), onde juntamente com seu futuro marido, Paul Taylor, fotografou as ondas de migrantes rurais vítimas das péssimas condições econômicas da época. As fotos de Dorothea Lange diferenciavam-se basicamente pela sua postura de honestidade sem artifícios. Eram homens e mulheres pobres e desempregados, na maior parte das vezes sem esperanças, mas continuava sempre presente a dignidade, até mesmo um certo orgulho interior, que se revelava sem pudor para as lentes de Dorothea, mostrando inequívoca empatia entre fotógrafo e fotografado. Até hoje suas imagens são consideradas fiel retrato dos EUA pós-depressão.

Seu trabalho rendeu-lhe uma bolsa Guggenheim em 1941, mas a Segunda Guerra Mundial trouxe uma ruptura e um redirecionamento nas fotos de Dorothea. Trabalhando para a War Relocation Agency e para o Office of War Information, entre 1942 e 1945 passou a documentar os nipo-americanos forçados a viver em campos de concentração na Califórnia. Uma fase não menos importante de sua obra, mas convenientemente "esquecida" por muitos de seus compatriotas.

Problemas de saúde mantiveram Dorothea afastada das câmaras a seguir à guerra, e só voltou à ativa no meio dos anos cinqüenta, quando entrou para a equipe da prestigiada revista Life. Até sua morte em 1965, viajou pelo mundo na companhia do marido, fotografando principalmente a América do Sul, a Ásia e o Oriente Médio.


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