burburinho

almeida jr

pintura por Maria Ignez Pedroso

José Ferraz de Almeida Júnior nasceu na cidade de Itu, no interior de São Paulo, em maio de 1850. De família pobre, foi com a ajuda de amigos que conseguiu ir para a conceituada Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde fez um curso brilhante, que lhe deu o direito de concorrer a uma viagem de estudos na Europa. Curiosamente, por motivos desconhecidos dos historiadores de hoje, desistiu deste projeto e voltou para São Paulo, onde começou a pintar profissionalmente, ganhando a vida como retratista.

Em 1876, Dom Pedro II, declaradamente um incentivador das artes, passou por São Paulo e ficou conhecendo o trabalho de Almeida Jr., oferecendo-lhe imediatamente uma bolsa de estudos em Paris. Desta vez ele não deixou passar a oportunidade.

Com 27 anos, viu-se Almeida Jr. matriculado na Escola Superior de Belas Artes, em Paris, cidade em que naquela época fervilhava o movimento impressionista. Os artistas deixavam seus ateliês para pintar ao ar livre, explorando os efeitos da luz do sol sobre as paisagens, as pessoas, os objetos.

O Descanso da Modelo

Almeida Jr. passou indiferente pelo impressionismo. Continuou com sua pintura de ateliê, usando cores escuras, aprimorando sua técnica acadêmica. Participou no Salão de Paris durante quatro anos, de 1879 a 1882, recebendo neste último elogios da crítica parisiense por sua tela O Descanso da Modelo, uma jóia da pintura acadêmica, pela riqueza de detalhes e perfeição técnica.

A EstradaRegressando ao Brasil, expôs seus trabalhos europeus na Academia Imperial e reabriu o ateliê em São Paulo. Numa época em que os artistas brasileiros recebiam grande influência européia, Almeida Jr. mais uma vez não seguiu a moda e mostrou-se independente, criando uma arte bem brasileira, retratando tipos e lugares do interior do país. Saiu do ateliê e foi buscar seus temas no campo, trazendo para as telas a figura do caipira e os costumes da roça. Sua paleta ganhou cores mais claras e suas telas tornaram-se luminosas. O que o impressionismo não conseguiu fazer com o nosso artista, o sol tropical fez.

Embora sua técnica continuasse acadêmica, as pinceladas ficaram mais soltas. Passou a explorar bem a luz do sol, porém de maneira diferente dos impressionistas. Ninguém como ele conseguiu captar aquele estado de preguiça e sonolência de uma tarde de sol quente no interior. Até que, no auge de sua carreira, aos 49 anos, Almeida Jr. foi assassinado pelo marido ciumento de Maria Laura do Amaral Gurgel, musa inspiradora do artista.

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