burburinho

carey bell

música por Nemo Nox

Carey Bell Harrington nasceu no Mississippi em 1936, e aos oito anos de idade ganhou de seu avô uma harmônica, que aprendeu a tocar sozinho. Mais tarde teve a oportunidade única de se aperfeiçoar com mestres do calibre de Big Walter Horton, Little Walter Jacobs e Sonny Boy Williamson II. "O Little Walter me ensinou muita coisa, mas o Big Walter era maluco. Ele fazia todo tipo de coisa na harmônica, que ninguém conseguia fazer." Com professores de estilo tão pessoal, não tardou muito para que Carey criasse também seu próprio estilo, um blues marcadamente urbano e contemporâneo mas enraizado na tradição de seu Mississippi natal.

Com somente treze anos de idade, Carey Bell já tocava profissionalmente com seu padrinho, o pianista de blues e country Lovie Lee. Foi ele que, em 1956, convenceu Carey a mudar-se para Chicago, meca do blues urbano. Lá conheceu seus mestres Big Walter Horton, Little Walter Jacobs e Sonny Boy Williamson II, e tudo correu bem até o início dos anos sessenta. A guitarra elétrica começava então a tomar o lugar da harmônica em muitas bandas de blues, e Carey resolveu diversificar seus talentos e passou também a tocar baixo elétrico. Com o novo instrumento, passou pelas bandas de Honeyboy Edwards, Johnny Young, Eddie Taylor, Earl Hooker, John Lee Hooker e Jimmy Dawkins.

Mas o chamado da harmônica foi mais forte, e Carey voltou a ela com toda força. Na virada dos anos setenta, gravou com Earl Hooker e com Muddy Waters, e também com o mestre Big Walter Horton. Em pouco tempo, sua reputação de mestre da harmônica era indiscutível, e a quantidade de discos e shows nos EUA e na Europa atestava isto. Em 1990, gravou juntamente com Junior Wells, James Cotton e Billy Branch o álbum Harp Attack, que recebeu o W.C. Handy Award. Seu disco solo Down Deep, de 1995, foi largamente elogiado, e o mais recente Good Luck Man também conquistou o aplauso da crítica.

A Abril lançou no Brasil, na Blues Collection, o CD Heartaches and Pain, uma preciosidade gravada em 1977. Quase todas as músicas são do próprio Bell, com amplo espaço para sua harmônica característica e destaque para Carey Bell Rocks, a primeira faixa do disco, mas aparece também Everything's Gonna Be All Right, de Little Walter, numa versão deliciosa. Blues do melhor.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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