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halloween: h2o

cinema por Nemo Nox

Halloween: H20 (EUA, 1998) é um filme de homenagens. Outras séries de terror são citadas, como a antiga Sexta-Feira 13 (um rapaz com máscara de hockey assustando um personagem) ou a mais recente Pânico (o filme aparecendo num televisor). Janet Leigh, mãe de Jamie Lee Curtis e estrela do clássico Psicose, aparece no papel de uma secretária e ainda tem o mesmo carro do filme de Hitchcock (é dela a frase "todos têm direito a um bom susto"). Mais que tudo, porém, H20 é uma auto-homenagem, repetindo muito do que já foi visto antes no filme original de John Carpenter.

Em outra auto-referência ao gênero, o diretor escolhido para H20 foi Steve Miner. Em seu currículo, aparecem a segunda e a terceira parte de Sexta-Feira 13. Escolado com malucos assassinos, Miner permite-se algumas brincadeiras curiosas. Vemos, por exemplo, um personagem colocando a mão dentro de um moedor de lixo para recuperar um saca-rolhas. Planos intercalados do interior do moedor, do interruptor que o liga e do assassino se aproximando nos dão uma idéia do que vai acontecer. Ou será que não?

(Uma observação sobre a patética legendagem que Halloween: H20 recebeu no Brasil. Erros e imprecisões pipocam do início ao fim, com grande destaque para a frase "he waited fifteen years for me in the sanatorium" ("ele esperou quinze anos por mim no sanatório"), traduzida como "ele esperou quinze anos por mim na privada". Seria engraçado se não fosse triste.)

A trama de H20 felizmente ignora muito do que foi apresentado em filmes anteriores, e poderia mesmo ser encarado como uma segunda parte do filme original. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), vinte anos depois dos terríveis assassinatos do primeiro filme, vive agora na Califórnia, onde é diretora de uma escola e usa o nome de Keri Tate. Tem um ex-marido (que não aparece no filme), um filho adolescente e despenteado (Josh Hartnett) e um namorado compreensivo (Adam Arkin). Tem também, é claro, um irmão psicopata e aparentemente indestrutível, Michael Myers (Chris Durand), que resolve atacar novamente na noite de Halloween.

A grande força do filme é centrar-se no personagem de Jamie Lee Curtis (linda e carismática como sempre), na incapacidade de conviver com a tragédia de vinte anos antes e na necessidade de vingança. Sua determinação e coragem lembra muito duas outras heroínas das telas: Sigourney Weaver contra os aliens e Linda Hamilton contra o exterminador do futuro. Michael Myers, aliás, parece compartilhar de alguns traços do terminator, recusando-se a morrer e sempre perseguindo sua vítima. E fica a pergunta: por que Michael Myers nunca morre?


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