burburinho

anne perry

livros por Jade Boneff

Anne Perry é mais uma candidata ao título de "Dama do Crime", herança de Agatha Christie. Assim como Mary Higgins Clark, Patricia Cornwell, Ngaio Marsh e Sue Grafton, Perry escreve muito, e quase sempre sobre o mesmo tema, além de ter alguns personagens "fixos", a exemplo dos famosos Hercule Poirot e Miss Marple, de Agatha Christie. Sua diferença em relação às outras escritoras de mistério contemporâneas é exatamente o fato de se aventurar no território de Agatha Christie: a era vitoriana.

Existem dois problemas marcantes na obra de Perry, e o primeiro é bastante óbvio: ela não é vitoriana, mas tenta ser. O segundo é mais sutil, e só vai perceber quem ler um número expressivo de suas três dezenas de obras: sua linha de raciocínio é padronizada. Depois de, digamos, cinco ou seis livros lidos em seqüência, é quase certo que o leitor vá adivinhar o assassino, arma, motivo, e o que mais houver para ser adivinhado, antes de chegar à metade da história.

O fato de não ser vitoriana não é grave. Mas é problema tentar ser, através de personagens que ficam caricatos e repetitivos. O cruel dilema da moça "moderna" de boa família, que hesita entre romper com a sociedade e se casar com o pé-rapado que ama, ou ceder às pressões sociais e casar com o boboca com pedigree saiu de moda com o espartilho. Mas Perry insiste no tema por livros a fio, levando o leitor a querer mudar o disco. Ou, no caso, o livro. São páginas intermináveis que acompanham a heroína Charlotte Ellison desde seu tempo de solteira (em que sofre o tal dilema) até o casamento com o inspetor de polícia Thomas Pitt, quando os dois passam a dividir casa, comida, roupa lavada e a solução dos mistérios. Um livro mais recente da saga de Charlotte e Pitt, Bedford Square, alcançou excelente colocação nas listas de vendagem, reforçando mais uma vez as semelhanças com as outras "damas" - um fã-clube dos mais fiéis. Além desta série, ela escreveu outra, de menor expressão, sobre o detetive particular William Monk.

O lado mais interessante de Anne Perry, no entanto, não está nos livros, mas em sua biografia. Nascida em Londres, ela foi criada na Nova Zelândia, filha de pais amorosos e liberais. Aos quinze anos, em 1954, Anne ajudou uma colega de colégio a assassinar a mãe, e passou cinco e anos e meio em uma prisão de segurança máxima. Ao ser posta em liberdade, ela retornou a Londres, de onde migrou para os Estados Unidos oito anos depois. Seu primeiro livro, The Cater Street Hangman, só foi publicado em 1979, quando a autora já estava de volta à Inglaterra e tinha virado mórmon de carteirinha. A história do crime das adolescentes ficou famosa recentemente graças ao filme de Peter Jackson, Heavenly Creatures.


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