burburinho

diane arbus

fotografia por Nemo Nox

Diane Arbus fotografou o sonho norte-americano. O que suas lentes captaram, porém, se algo tinha de onírico, certamente estava mais próximo dos pesadelos que dos sonhos. A realidade mostrada em retratos diretos, sem encenação ou retoque, denunciava em seus detalhes que havia algo de estranho no país. O anormal era mais que uma exceção e o normal lançava dúvidas sobre o próprio conceito de normalidade. Diane Arbus mostrou que os EUA estavam longe de ser a nova raça de semi-deuses apregoada no pós-guerra. Nas suas fotos, eles são muito mais interessantes que isto: são humanos.

Nascida em New York no ano de 1923, com o sobrenome Nemerox, Diane casou-se aos dezoito anos com Allan Arbus, de quem adotou não só o nome mas também o gosto pela fotografia. O casal produziu vários trabalhos de moda para a revista Harper's Bazaar e também uma campanha publicitária para a loja de departamentos do pai de Diane.

Na década de 50, sob orientação de Lisette Model, Diane iniciou um trabalho mais pessoal, centrado na foto documental. Freqüentemente retratava anões, retardados, gêmeos ou travestis. Segundo ela, "a maior parte das pessoas passa a vida temendo experiências traumáticas, enquanto estas já nasceram com seu trauma e já passaram pelo seu teste na vida - são aristocratas".

As fotos de Diane tiveram reconhecimento imediato, e ela recebeu duas vezes a bolsa Guggenheim, em 1963 e em 1966, para subsidiar seu trabalho. Em 1967, juntamente com Lee Friedlander e Gary Winogrand, expôs no prestigiado Museum of Modern Art (MoMA), em New York. Em 1971, internacionalmente reconhecida como um dos nomes mais importantes da fotografia dos EUA, Diane suicidou-se. Mas suas fotos, ainda hoje, parecem mais vivas que nunca.

Os retratos de Diane Arbus trazem quase sempre a combinação de dois elementos fundamentais. Em primeiro lugar, uma empatia do sujeito fotografado com o fotógrafo. Os modelos de Diane parecem confiar nela, oferecendo-se à câmara com o olhar. Por outro lado, há um detalhe técnico que acrescenta uma aura de estranheza ao retrato: Diane foi uma das primeiras fotógrafas a usar sistematicamente o flash juntamente com a luz do dia. Não só isto evitava o escurecimento de rostos frente a cenários demasiadamente claros, como também banhava o modelo com uma luz dura e direta, sem artifícios. O resultado desta combinação, além da precisa escolha das pessoas fotografadas, é um trabalho marcante e perturbador, que coloca Diane Arbus como um dos nomes mais importantes da fotografia documental.


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