burburinho

jimmy dawkins

música por Nemo Nox

Criança no Mississippi, adulto em Chicago: uma combinação perfeita para um guitarrista de blues. Assim foi com Jimmy Dawkins, que nasceu em Tchula em 1936 e mudou-se para a cidade dos ventos em 1955.

Ele já tocava desde pequeno, e em Chicago logo começou a procurar uma vaga de guitarrista enquanto trabalhava numa fábrica de caixas para pagar as contas. Começou acompanhando Lester Hinton, que tocava harmônica, e no ano seguinte partiu para uma carreira solo. Aos poucos, foi ganhando uma boa reputação e sendo chamado para acompanhar outros artistas em gravações, como Wild Child Butler, Little Mack Simmons e Luther Allison. Ao vivo, tocou também com gente como Smokey Smothers, Koko Taylor, Eddie King e Jimmy Rogers, entre outros.

Em 1969, Jimmy Dawkins lançou seu primeiro disco solo, Fast Fingers (distribuído no Brasil pela Abril Music), até hoje considerado um de seus melhores trabalhos, se não o melhor. "Eu estava com dificuldades para aprender a música Funky Broadway", conta Dawkins, "e pedi pro Magic Sam me ajudar. Ele disse pra eu levar umas latinhas de cerveja e ele me ajudaria. Quando cheguei na casa dele com as cervejas, o Sam se lembrou que o Bob Koester [da gravadora Delmark] estava me procurando, então entramos no carro e fomos até lá. E foi assim que assinei o contrato do meu primeiro disco - porque não conseguia aprender uma música."

Desde a primeira faixa do disco, It Serves Me Right to Suffer, Jimmy Dawkins mostrava não só que tinha dedos rápidos (fast fingers) mas também que possuía um estilo sólido e depurado. A banda que o acompanhou nas duas sessões de gravação (uma em novembro de 1968, outra em janeiro de 1969) tinha o ótimo Lafayette Leake no piano e no órgão, Mighty Joe Young na segunda guitarra, Ernest Gatewood (em 68) e Joe Harper (em 69) no baixo, Lester Dorsie na bateria, e Eddie Shaw no sax.

O material musical de Fast Fingers é bem variado, com faixas instrumentais e faixas vocais (é o próprio Dawkins que canta), passando do alegre (Triple Trebles, por exemplo) ao melancólico (I Don't Know What Love Is, por exemplo). O resultado é excelente. Fast Fingers recebeu em 1969 o prestigiado Grand Prix du Disque, do Hot Club de France, e merece um lugar na discoteca de qualquer apreciador de blues.


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