burburinho

eadweard muybridge

cinema por Nemo Nox

Fotógrafo mata amante da esposa, é absolvido em tribunal, mas tem que fugir do país para escapar da ira dos amigos do falecido. Trama folhetinesca? Não, somente parte da biografia de Eadweard Muybridge. Felizmente, sua vida teve muito mais que episódios dignos de telenovela mexicana e ele ficou na história como fotógrafo e inventor.

Nascido em Kingston-on-Thames, na Inglaterra, em 1830, e batizado como Edward James Muggeridge, mais tarde mudou seu nome para o inglês arcaico. Ao sair às pressas do país, foi parar nos EUA, onde passou a ganhar a vida retratando as paisagens do oeste americano. Em 1872, depois de já ser conhecido pelo seu trabalho, Muybridge foi contratado pelo governador da Califórnia, Leland Stanford, para fotografar o cavalo Occident. Tratava-se de uma aposta, e as fotos serviriam para apurar o resultado: o animal, ao correr, tirava ou não as quatro patas do chão? Muybridge fez algumas experiências e conseguiu provar que o cavalo realmente, em algum momento da corrida, tinha todos os cascos no ar.

Entusiasmado com o resultado e ainda financiado pelo governador, Muybridge passou a aperfeiçoar o método de captar o movimento com várias câmaras disparadas automaticamente em seqüência por dispositivos magnéticos instalados no chão. Fotografou não só cavalos, mas também cães, pombos e outros animais. Partiu depois para seres humanos, homens e mulheres nus que subiam e desciam escadas, faziam movimentos atléticos ou dançavam.

Para exibir as fotos reproduzindo o movimento original, Muybridge inventou um aparelho chamado zoopraxiscópio, composto por um disco com as imagens coladas girando em alta velocidade sob uma superfície espelhada. O que começou com uma simples aposta de afficcionados do hipismo, passou a ferramenta de estudos de anatomia e acabou gerando um dos precursores do cinematógrafo.


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