burburinho

the planets

música por Nemo Nox

Gustav Holst (1874-1934) nasceu em Cheltenham, na Inglaterra, e respirou melodia e harmonia desde a tenra infância. Seu pai, Adolph, era um professor de música que dava mais atenção ao piano que à família.

Sua mãe, Clara, morreu quando Gustav tinha somente oito anos, e ele ficou aos cuidados da irmã mais velha, Nina, outra fanática pelo piano. Holst não era examente uma criança saudável, tendo problemas de visão e asma. Seu pai tentou fazer dele um bom pianista, mas o pobre rapaz também tinha problemas nos dedos, o que o impedia de aprimorar sua técnica. Mesmo assim, chegou a ser organista e mestre do coro. Aos dezenove anos, Holst compôs uma opereta que convenceu o pai de seu talento. Foi então enviado para o Royal College of Music de Londres para estudar composição. Suas novas obras variavam de óperas como The Revoke a poemas sinfônicos como Indra, mas nenhuma fazia grande sucesso (sua ópera Sita, baseada no épico hindu Ramayana, nem chegou a ser encenada antes da morte de Holst). Até que ele escreveu The Planets, suite musical apresentada pela primeira vez em 1918, que lhe garantiu sucesso de público e um lugar na história da música.

São sete peças inspiradas na astrologia e na mitologia, cada uma dedicada a um planeta diferente (com exceção da Terra, alvo da influência dos outros planetas, e de Plutão, que ainda não havia sido descoberto). Holst há muito interessava-se por filosofia oriental e literatura sânscrita, e mais tarde acabou se tornando astrólogo amador. Ao compôr The Planets, usou a astrologia como base e adicionou elementos de mitologia clássica (afinal, todos os planetas têm nomes de deuses greco-romanos). A ordem de apresentação não tem relação com a posição dos planetas, mas sim com uma possível progressão representando uma vida humana, de um início tempestuoso a um final místico. Pela ordem: Mars, The Bringer of War; Venus, The Bringer of Peace; Mercury, The Winged Messenger; Jupiter, The Bringer of Jollity; Saturn, The Bringer of Old Age; Uranus, The Magician; e Neptune, The Mystic.

As influências musicais em The Planets são claras: Schoenberg e Stravinsky. Em seus primeiros rascunhos, Holst usou o nome provisório de Sete Peças Orquestrais, numa possível homenagem a Cinco Peças Orquestrais, que Schoenberg recentemente apresentara em Londres. E Mars, The Bringer of War tem uma orquestração que lembra em muito A Sagração da Primavera de Stravinsky, também já apresentada com êxito na capital inglesa. Se a caminhada musical e astrológica de Holst começa com as dissonâncias beligerantes de um jovem Marte, seu final surge adequadamente num etéreo coro feminino evocando em melodia quase debussyana o misticismo de um Netuno ancestral.

The Planets garantiu a popularidade de Holst. Mas seus constantes problemas de saúde e a mágoa de ver suas outras obras relegadas ao esquecimento fizeram com que ele odiasse esta popularidade. Quando lhe pediam um autógrafo, dava ao fã um papelzinho datilografado com a frase "não dou autógrafos". Aparentemente, Holst terminou seu percurso mais próximo de Marte que de Netuno.


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