burburinho

conversa com al bigley

entrevista por Nemo Nox

Al Bigley orgulha-se de ser um ilustrador camaleão, capaz de desenhar quadrinhos no estilo de outros artistas.

Burburinho - Muitos ilustradores ficam conhecidos por seu estilo único. Você, pelo contrário, ficou conhecido por ser capaz de reproduzir vários estilos diferentes. O que você acha disso?
Al - É divertido. Não é qualquer um que pode trabalhar em todos esses estilos, é um verdadeiro desafio. Você acaba aprendendo um pouco de cada estilo, e um pouco daqui e dali acaba se incorporando ao seu próprio estilo. Você se vê forçado a olhar para o que os outros estão fazendo e como estão resolvendo os problemas.

Burburinho - Você já desenhou muitos personagens, do Batman aos X-Men, dos Rugrats aos Power Ranges, do Jonny Quest a Josie & the Pussycats. Qual o seu favorito?
Al - Bem, eu cresci gostando do Batman e dos seus personagens secundários, e o estilo do desenho animado é ótimo de trabalhar por ser tão limpo e orientado para a ação, sem quaisquer linhas desnecessárias. Cada personagem e estilo tem seus pros e seus contras. Acho que do que gosto menos são os desenhos exageradamente estilizados, arte tão simplificada que acaba se tornando tosca.

Burburinho - Quem são seus desenhistas preferidos e quais você considera como inspiradores?
Al - Todos os que eu cresci acompanhando, a turma dos velhos tempos: John Romita, Nick Cardy, Neal Adams, Jack Kirby, Dick Giordano, Ross Andru, Irv Novick. Entre os mais contemporâneos, Steve Rude, Bruce Timm, Jerry Ordway, Mike Mignola, Adam Hughes. Fora dos quadrinhos, Norman Rockwell, Jack Davis, Mort Drucker, Bob Peak, e tantos outros.

Burburinho - Quais os seus quadrinho preferidos?
Al - Neste momento, tenho que citar Astro City, Green Arrow, e qualquer coisa do Dan Clowes ou do Evan Dorkin. Também gosto da maior parte dos quadrinhos da Marvel da década de sessenta e setenta, são divertidíssimos.

Burburinho - Você trabalha com computadores ou continua trabalhando com lápis e papel?
Al - Sou da velha escola do lápis e papel. Às vezes escaneio meus desenhos para colorir no Photoshop, gosto muito disso. A verdadeira revolução para os artistas não é muito comentada, é podermos escanear os desenhos e enviá-los por fax para o editor, e receber de volta os comentários e a aprovação no mesmo dia. Posso também usar o computador para criar cartões de visita, websites, faturas, papel de carta, etc. Nunca mais precisei correr até a esquina para fazer fotocópias.

Burburinho - Você tem vários clientes grandes, como Marvel e DC Comics, National Geographic e CBS News, McDonald's e Disney. Quais deles criam mais desafios? E que cliente você gostaria de ter mas ainda não conseguiu?
Al - Sempre quis trabalhar para a revista Mad. Não é a empresa que cria o desafio, e cada trabalho e suas necessidades. Quanto mais editores e intermediários no processo, mais difícil fica, já que todos sentem a necessidade de acrescentar algo ao projeto.

Burburinho - Você tem um projeto pessoal para quadrinhos, com seus próprios personagens?
Al - Fiz uma revista chamada Geminar, com um escritor amigo meu, o Terry Collins. É sobre um astronauta perdido que ganha super-poderes e fica dividido entre procurar o caminho de volta para casa e exercer seu papel de super-herói. Montes de conspirações na trama, desenhado no meu próprio estilo, me diverti muito. A série foi publicada em 2000 pela Image Comics (a mesma de Spawn) e as revistas ainda podem ser encomendadas no meu website.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
Copyright © 2001-2005 Nemo Nox. Todos os direitos reservados.