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jaspion

televisão por Flávio P.C. dos Santos

Atualmente Pokémon é o símbolo da indústria japonesa entre as crianças brasileiras, mas nos anos 80 e início da década de 90 o que realmente contagiava a garotada eram os live-action nipônicos, em séries de episódios filmados com trinta minutos de duração, onde era representada a luta do bem contra o mal.

Changeman, Flashman, Machine Man, Maskman, ou, para não parecer que todo live-action tem Man no título, Metalder, Goggle V, Jiban, Jiraya, Sharivan, Spielvan, Black Kamen Rider, Cyber Cops... E é claro que não se pode deixar de lado um dos mais famosos, O Fantástico Jaspion, série que faz parte da categoria dos Metal Heroes, espécie de sub-gênero nos live-action. Talvez Jaspion tenha sido o responsável pela febre japonesa aqui no Brasil que marcou a infância de muita gente há mais de dez anos. Foi produzido no Japão durante os anos de 1985 e 86, e tinha por lá o nome de Kyoju Tokusou Juspion, o que seria em português algo como Investigador de Monstros Juspion. O nome Juspion é uma mescla da palavra "justice" (justiça) com a palavra "champion" (campeão). Mas a série chegou no Brasil com um título um pouco menor, e o nome do herói perdeu um "u" para ganhar um "a" e soar menos estranho por aqui. O Fantástico Jaspion escancarou as portas para todos os outros live-action que viriam para cá no rastro de seu sucesso.

A série apresentava as batalhas entre Jaspion (interpretado por Hikaru Kurossaki) e as forças do mal que invadiram o planeta Terra. Sua missão era encontrar na Terra as crianças escolhidas para evocar o Pássaro Dourado capaz de destruir o "senhor do mal da Via Láctea", Satã Goss. Mas o filho de Satã Goss, o arqui-vilão MacGaren (Junichi Haruta), junto com uma legião de monstros e seres de outros planetas estavam dispostos a impedir que Jaspion achasse todas as crianças.

Tal missão lhe foi conferida por Edin, profeta e cientista galáctico, que criou Jaspion desde pequeno após este ter sido o único sobrevivente de um acidente na nave onde ele e seus pais estavam. Para ajudá-lo em sua luta, Edin concedeu-lhe poderes especiais e uma armadura hiper-resistente, a Metaltex, que surgia para protegê-lo sempre que preciso. Durante as filmagens, no momento em que Jaspion se transformava, o ator Hikaru Kurossaki dava lugar a seu dublê, que desempenhava as cenas com a armadura. Eram usados três tipos de armaduras, uma metálica e reluzente usada para os closes e outras duas feitas de materiais mais flexíveis que permitiam maior mobilidade.

Como monstros gigantes são tradição em seriados japoneses, eles não podiam deixar de dar seu ar de graça em O Fantástico Jaspion. Quase em todos os episódios, Jaspion tinha que lutar com algum grandalhão e evitar que a cidade fosse destruída. Para isso, ele contava com a ajuda de Daileon, um cruzador espacial (outro presente de Edin) que ao seu comando se tornava o Gigante Guerreiro Daileon, um robô colossal capaz de lutar de igual para igual contra os monstros imensos. Além disso, outros veículos de combate o ajudavam a vencer suas batalhas: Gaibin Tank, Gaibin Jet e Alan Moto Space. Como parceiros, contava com Anri, uma andróide muito atrapalhada mas extremamente fiel, e Myia, um alienígena que segue Jaspion em sua missão desde que se encontraram.

Apesar da produção da série ter um nível um pouco mais elevado em relação a outros live-action, demonstrava algumas vezes uma certa pobreza. Era comum, e totalmente perceptível, o uso de miniaturas representando os veículos em cenas que eram reutilizadas em vários episódios. As paredes pelas quais monstros e o próprio Jaspion freqüentemente atravessavam eram feitas do mais puro isopor, praticamente sem disfarce algum.

Mas talvez a característica mais irritante da série e da esmagadora maioria dos live-action seja o formato repetitivo de cada episódio. Quase sempre aparecia um monstro que lutava com Jaspion durante o episódio inteiro até ele usar sua arma fatal, uma espada laser que era praticamente infalível. Depois, Satã Goss viria e lançaria um raio capaz de fazer o monstro derrotado voltar a vida em uma versão gigantesca. Então, Jaspion chamaria Daileon e enfrentaria seu inimigo até a hora de usar um poderoso raio cósmico, o golpe capaz de destruir quase qualquer um à sua frente. Mas por que sempre usar essa ordem de acontecimentos? Se sua espada laser era tão ameaçadora assim, por que não usá-la logo no início de um confronto? Se nenhum inimigo resistia ao raio cósmico, por que esperar tanto tempo para usá-lo? Eram coisas que as próprias crianças se perguntavam ao assistir O Fantástico Jaspion, mas que não eram suficientes para tirá-las de frente da TV, pelo contrário, cada episódio parecia ter um gostinho de quero-mais e a audiência era garantida no dia seguinte.

E o crédito dado pelas crianças era merecido. Com certeza, a ação e emoção contidos em cada episódio, a luta do bem contra o mal, a presença de naves, explosões, lutas de espada e principalmente de um herói mascarado, tudo envolvido numa atmosfera bem elaborada, maquiavam muito bem qualquer possível fraqueza da série, que sempre se mostrou suficientemente complexa e grandiosa para um programa infantil. Apesar de algumas características questionáveis, de uma forma ou de outra manteve um estilo que conquistou o Brasil. Era até possível encontrar crianças por aqui cantando - ou tentando cantar - as músicas em japonês de seu seriado favorito. E, com tamanho sucesso, qualquer mudança em O Fantástico Jaspion seria no mínimo arriscada.


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