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tex

quadrinhos por Nemo Nox

Quem acha que spaghetti-western é só no cinema precisa conhecer um certo cowboy dos quadrinhos. Um dos mais famosos heróis do velho oeste nos gibis, se não o mais famoso de todos, é italiano: Tex Willer.

Criado em 1948 por Giovanni Luigi Bonelli (roteiro) e Aurelio Galleppini (arte), há mais de meio século o destemido Tex cavalga pelas páginas de revistas de todo o mundo encantando gerações de leitores com suas aventuras. A primeira história, publicada em 30 de setembro de 1948, chamava-se O Totem Misterioso e foi um grande sucesso na Itália recém-saída da Segunda Guerra Mundial. No início, Tex era um cowboy solitário, acompanhado somente por seu cavalo, que mais tarde seria batizado de Dinamite. Com o desenrolar da série, foi-se desenvolvendo a personalidade do herói, que ganhou, aos poucos, uma coleção de companheiros, entre eles o índio Jack Tigre, o batedor Kit Carson, e até mesmo um filho, Kit Willer (filho da índia Lírio Branco e neto do chefe navajo Flecha Vermelha).

Aurelio Galleppini, também conhecido como Galep, desenhou Tex durante muitos anos. Com o sucesso e o aumento da produção, entraram em campo como assistentes Virgilio Muzzi, Francesco Gamba, Mario Uggeri, Guido Zamperoni e Lino Jeva. Na década de sessenta, vários novos desenhistas passam a assinar a série, como Jesus Blasco, Ferdinando Fusco e Claudio Villa, entre outros. Garantindo uma unidade visual, estavam sempre presentes os roteiros de Bonelli, com decupagens cinematográficas e uma narrativa com ritmo todo próprio.

Tex Willer é um herói clássico, mais clássico até que muitos cowboys do cinema norte-americano. De caráter imaculado, luta sempre pelo que é "certo", independente de recompensas ou outros interesses pessoais. Com muitos amigos índios e um filho mestiço, não discrimina as pessoas por sua raça ou origem. Mesmo às acusações de machismo, Tex tem um álibi perfeito: é simplesmente um cavalheiro à moda antiga.

Tex Willer e seus amigos enfrentaram muitos ladrões de cavalos e de bancos, lutaram contra a exploração do homem branco sobre o povo indígena, e destruiram muitos planos de barões do gado querendo enriquecer à custa alheia. Mas grandes heróis precisam de grandes vilões, e a série Tex teve o seu na figura do mago Mefisto. No que parecia ser um choque de gêneros, o grande inimigo do cowboy era um mestre do sobrenatural. Graças à habilidade de Bonelli, porém, os roteiros não pareciam forçados, nem mesmo quando Mefisto passou o cargo de vilão-mor para seu filho Yama, outro bruxo.

No Brasil, Tex teve estréia na década de cinqüenta na revista Júnior, da Rio Gráfica Editora. Em 1970, a série foi relançada pela Editora Vecchi em revista própria, com a história O Signo da Serpente na edição inaugural (e um arco e flecha de brinquedo como brinde). Durante muitos anos, Tex foi um grande sucesso de vendas, mas em 1983 a editora, com sérios problemas financeiros, fechou as portas. No mesmo ano, a Rio Gráfica, agora com o nome de Editora Globo, retomou o título, e publicou o personagem no Brasil até 1998, em séries e edições especiais. Depois disso, os direitos de Tex passaram para a Mythos Editora.


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