burburinho

a arte da guerra

livros por Jade Boneff

) que pode fazer com que um livro escrito há quase 2500 anos seja ainda não apenas atual, mas uma fonte de referência e estudo para profissionais de diversas áreas? A Arte da Guerra, de Sun Tzu, é um caso único.

Escrito por um comandante chinês mais ou menos na época de Confúcio, guarda ensinamentos lógicos e abrangentes, em que o dialeto militar se traduz em estratégia de vida. Até hoje, o livro pequeno, que não chega a 50 páginas, é leitura recomendada em faculdades como Harvard e Oxford, para cursos de Direito, Economia, Negócios e Marketing. A frase mais famosa de A Arte da Guerra, "conheça o inimigo e conheça a si mesmo, e você pode lutar cem batalhas sem derrota", pode parecer de uma obviedade ingênua na era da informação, mas imagine isto 2500 anos atrás, quando o mais comum era sair no braço sem qualquer reflexão.

Pouco se sabe a respeito do autor Sun Tzu. Era filho de Sun Ping, militar de competência reconhecida, e desde cedo dedicou-se ao estudo de estratégias. Seu tratado sobre a guerra foi tão bem-recebido e eficiente que ele podia se dar ao luxo de dizer, sem o menor vestígio de modéstia, que "o comandante que seguir meus ensinamentos vencerá, ao passo que quem os ignorar certamente encontrará a derrota". Sua teoria básica era vencer qualquer batalha pela sabedoria, não pela força. "Vencer cem entre cem batalhas não é o máximo da habilidade. Subjugar o inimigo sem lutar é a excelência suprema".

A Arte da Guerra foi traduzido para o inglês, russo, francês, alemão, espanhol, japonês e outras línguas orientais. Em seu rastro, vieram inúmeros livros de análise das teorias de Sun Tzu e, mais recentemente, A Arte da Guerra Aplicada aos Negócios, a associação mais explícita do tratado de Sun Tzu com as profissões do mundo atual.

O que surpreende no livro não são tanto as deduções filosóficas do autor, mas o fato de que estratégias militares sirvam tão perfeitamente à selva capitalista, e que Sun Tzu tenha convencido comandantes absolutamente broncos e sanguinários da necessidade de estratégia e a importância da diplomacia.

O que A Arte da Guerra faz, na verdade, é montar artimanhas para vencer os conflitos que existem em qualquer era, seja em situações militares ou sob a luz fluorescente de um escritório em Wall Street. Advogado versus promotor, concorrência empresarial, disputa por cargos, não importa. O ser humano ainda é o mesmo.

"Toda guerra é baseada em fingimento. Quando pronto para o ataque, finja incapacidade. Quando em movimento, finja inatividade. Se seu oponente é temperamental, irrite-o; se ele é arrogante, encoraje seu ego". Soa familiar?


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