burburinho

zydeco

música por Nemo Nox

Se você perguntar sobre zydeco numa loja de discos brasileira, é bem possível que o vendedor pense que se trata de um novo cantor ou uma banda pouco conhecida. Mas por trás deste nome estranho e pouco divulgado no Brasil, o que temos é um rico gênero musical da Louisiana, estado do sul dos EUA.

Nascido no início dos anos 50, o zydeco começou como uma espécie do rhythm and blues tocado com acordeão (trazido por imigrantes alemães) e acompanhado do típico frattoir, também chamado de washboard, nada mais que uma tábua de lavar roupa usada como instrumento de percussão. Esta curiosa combinação instrumental acabou reforçando a influência de ritmos locais, e rapidamente o zydeco incorporou as tradições musicais cajun (herança afro-caribenha) e creole (saído das músicas de trabalho dos escravos).

A origem do nome zydeco é controversa, mas a versão mais popular é que se tenha originado da canção Les Haricot Sont Pas Sales, gravada no novo ritmo por Clifton Chenier. "Les Haricot", pronunciado "le zarico", de alguma forma teria se transformado em "zydeco". Mesmo que o nome não tenha saído de uma de suas canções, Chenier ficou na história como o rei do zydeco, com clássicos do gênero como Calinda e, é claro, I'm the Zydeco Man. Em 1983, Chenier ganhou um Grammy pelo álbum Clifton Chenier and his Red Hot Louisiana Band. Depois de sua morte, em 1988, a banda continuou a tradição, agora sob a batuta de seu filho C.J. Chenier.

A maior influência de Chenier foi certamente Amede Ardoin, o primeiro acordeonista negro a gravar um disco creole, em 1929. Ele morreu em circunstâncias misteriosas e deixou somente 34 músicas gravadas. E se Ardoin foi o predecessor de Chenier, seu rival inequívoco ao posto de rei foi Boozoo Chavis, que gravou a que é considerada a primeira canção zydeco, antes mesmo do gênero estar batizado, Paper in My Shoe. Chavis incluiu em sua música toques de rhythm and blues contemporâneo e até mesmo de rap, chamando a atenção de músicos mais jovens para o zydeco.

Inicialmente somente música de dança nos clubes da Louisiana, o zydeco começa a se espalhar pelo mundo, já tendo espaço próprio em países como Itália, Alemanha e Japão. Não estranhe, portanto, se de repente começar a ouvir no Brasil a alegre combinação de acordeão e frattoir e os versos que misturam inglês e francês para contar os "causos" do sul dos EUA.


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