burburinho

mccoy tyner

música por Nemo Nox

McCoy Tyner nasceu na Philadelphia em 1938, e já na adolescência, encorajado pela mãe (que também era pianista), liderava grupos de jazz tocando em barzinhos. Para sorte sua, tinha como vizinhos Bud e Richie Powell, que certamente foram uma influência inicial em seu som.

Aos 21 anos, ao juntar-se ao quarteto de John Coltrane, Tyner já possuía um estilo próprio, que se encaixou com perfeição ao sax de Coltrane. O disco mais famoso de Tyner é sem dúvida The Real McCoy (1988), da Blue Note. Mas talvez seu retrato musical mais abrangente esteja em Jazz Profile (1997), da mesma gravadora. São oito faixas muito significativas, gravadas entre 1967 e 1989, quase uma hora de puro McCoy Tyner.

Four by Five, que abre o disco, é um desafio de tempos musicais. Escrita em 4/4, alterna trechos em 5/4, para voltar ao 4/4 nos solos. Logo de cara, vemos que Tyner não é somente um grande intérprete de jazz, mas também um grande compositor. A gravação é de 1967 e tem Joe Henderson no sax, Ron Carter no baixo e Elvin Jones na bateria.

A segunda faixa, The High Priest, gravada também em 1967, é uma homenagem a Thelonius Monk, forte influência na obra de Tyner. Não é de estranhar que seja exatamente de Monk a música que fecha o disco, I Mean You, um dueto gravado por McCoy (piano) e John Scofield (guitarra) em 1989.

Surrey With the Fringe on Top é da imortal dupla Rodgers e Hammerstein (esta e The High Priest são as únicas músicas de Jazz Profile que não são de autoria de Tyner). Numa época de atividade incansável, 1968, em que McCoy participava tanto do grupo de Art Blakey como do quarteto de Wayne Shorter, sem dispensar vários outros trios, este arranjo quase frenético chega a ser emblemático.

Seguem-se Smitty's Place, de 1968, e Planet X, de 1969. Goin' Home, de 1970, foi gravada na última sessão oficial de McCoy para a Blue Note. O nome chega a ser simbólico, já que a saída do pianista deveu-se a incompatibilidades artísticas entre ele e a direção da gravadora, numa época em que grande parte dos músicos de jazz adotava a eletrônica e Tyrner preferia manter-se no acústico, numa "volta para casa".

Antes de terminar com I Mean You, o disco ainda traz Hip-Toe, de 1985, gravada numa sessão especial em que a Blue Note reuniu McCoy e o sax de Jackie McLean, que não tocavam juntos há mais de vinte anos. A eles juntaram-se em grande estilo Ron Carter no baixo, Al Foster na bateria, e Jon Faddis no trompete.

Para quem ainda não tem um disco de McCoy Tyner, Jazz Profile é uma excelente escolha que pode acabar se transformando no marco inaugural de uma grande coleção mccoytyneriana.


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