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ernst haas

fotografia por Nemo Nox

Quem disse que uma fotografia precisa ser nítida e clara? Ernst Haas esmerou-se em provar o contrário numa carreira marcada por fotos de beleza inusitada. Sua sensibilidade na captação do movimento aproximou a fotografia da pintura impressionista e, por vezes, da abstrata.

Os planos juvenis de Ernst Haas de se tornar um pintor foram atropelados pela dura realidade da Segunda Guerra: nascido em Viena em 1921, acabou alistado ainda adolescente na aviação alemã e trabalhando na manutenção de aeroportos. Terminado o conflito, em meio a uma economia destroçada, trocou nove quilos de margarina por uma câmara Rolleiflex, aprendeu sozinho a fotografar e começou a dar aulas para soldados norte-americanos em cursos organizados pela Cruz Vermelha.

Em pouco tempo, Haas fez uma exposição de seus trabalhos, também organizada pela Cruz Vermelha, e começou a colaborar com revistas como a alemã Heute e agências fotográficas como a Black Star. Em 1949, graças um ensaio sobre os prisioneiros de guerra austríacos, ficou internacionalmente conhecido. Foi convidado a trabalhar na revista norte-americana Life, sonho de qualquer fotógrafo da época, mas acabou optando por outro convite que lhe oferecia maior liberdade e juntou-se à agência Magnum.

Foi quando começou a fotografar em cores, para nunca mais parar. "Para mim a cor representa um desafio maior. Em preto e branco só existem tons de cinza; em cores, temos as combinações mais incríveis, com matizes delicados que podem ser aproveitados para obter profundidade ou relevo."

Automaticamente, mudou de temas, deixando os resultados da guerra para trás e mudando-se para New York. "Os tempos cinzentos haviam terminado. Era uma nova primavera, e eu queria celebrar em cores a renovação dos tempos, cheios de novas esperanças."

Usando um filme que necessitava de muita luz para obter fotos nítidas, o Kodachrome 12 ASA, Haas começou a fazer experiências de todos os tipos. Avesso ao uso de tripés ou de outros suportes que permitissem uma exposição prolongada do filme, ia adaptando sua técnica e criando um estilo único. Omitia deliberadamente detalhes nas regiões mais escuras, trabalhava com grandes contrastes, abusava das silhuetas.

Acabou desenvolvendo uma forma de captar o movimento que, se hoje é comum, na época foi revolucionária. Em vez de usar altas velocidades de obturação e "congelar" o movimento, usava uma exposição mais prolongada e "borrava" a imagem. Haas aprendeu a controlar o resultado, e empregava truques como mover a câmara no mesmo sentido e na mesma velocidade do movimento retratado.

Hoje este tipo de fotografia é comum, mas pouca gente sabe que Ernst haas foi o responsável pela sua popularização e, mesmo depois de sua morte em 1986, é ainda um mestre insuperável na sua aplicação.


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