burburinho

mutt & jeff e os sobrinhos do capitão

quadrinhos por Nemo Nox

No início da história dos quadrinhos, era comum um mesmo personagem aparecer em jornais diferentes, desenhado por autores diferentes. Assim foi com os pioneiros Yellow Kid e Buster Brown, criações de Richard Felton Outcault, e várias outras séries.

Principal atração dos suplementos dominicais dos jornais norte-americanos, as primeiras histórias em quadrinhos geralmente apareciam em página inteira (ou em grande parte dela) e utilizavam cores. Aos poucos, porém, começaram a conquistar espaço também durante a semana, em tiras em preto e branco, as chamadas comic strips. Um dos primeiros a utilizar este formato foi Harry Conway "Bud" Fisher. Sua série nasceu sem título, sendo mais tarde batizada com o nome dos protagonistas, Mutt and Jeff.

O baixinho Mutt, contumaz apostador em corridas de cavalos, e o magrelo Jeff, nem sempre um pensador brilhante, estrearam nas páginas do San Francisco Chronicle em novembro de 1907. Anos mais tarde, ao deixar o jornal, Fisher manteve os direitos da série colocando o título de Mutt and Jeff, até então não usado, e passou a distribuí-la para várias publicações. Nasciam os primeiros agenciadores de histórias em quadrinhos, os syndicates.

Com o enorme sucesso que faziam os quadrinhos no início do século, surgiram empresas especializadas em distribuir este novo e lucrativo produto. O mais famoso, King Features Syndicate, criado por Hearst em 1915, teve Mutt and Jeff entre suas primeiras tiras distribuídas. A concorrência não tardou muito em aparecer. Os jornais Chicago Tribune e New York Daily News juntaram forças para criar o Tribune-N.Y. News Syndicate. O World também entrou no mercado com o seu Press Publishing, que mais tarde se transformaria no poderoso United Features Syndicate. Este sistema de empresas agenciadoras detendo os direitos sobre as séries de histórias em quadrinhos e distribuindo-as para diversas publicações acabou com as disputas judiciais surgidas quando um autor mudava de jornal. Antes disto, porém, veríamos o mais famoso caso de duplicação de uma série: os Katzenjammer Kids.

Criados por Rudolph Dirks para o New York Journal em 1897, os Katzenjammer Kids foram claramente inspirados nas travessuras dos alemães Max und Moritz, precursores das histórias em quadrinhos. A série, ambientada numa colônia alemã na África, apresenta um grupo de personagens caricatos, quase todos falando inglês com sotaque alemão. Os astros são, evidentemente, os endiabrados Katzenjammer Kids, dois irmãos gêmeos chamados Hans e Fritz. Os alvos principais de suas brincadeiras são o gordo Capitão (Der Captain), o Coronel (Der Inspector), e a Mãe (Mamma).

Depois de desenhar os Katzenjammer Kids durante quinze anos, com grande sucesso, Rudolph Dirks saiu do New York Journal, e a série continuou a ser desenhada por outros artistas. Dirks processou Hearst, o dono do jornal, alegando ser autor e proprietário dos personagens, que não deveriam ser publicados sem a sua autorização. Os tribunais decidiram que Hearst era o dono da série, mas que Dirks poderia continuar utilizando seus personagens desde que não usasse o título Katzenjammer Kids. Assim, migrando para o World, do concorrente Pulitzer, Dirks voltou a desenhar suas histórias, agora rebatizadas de Hans and Fritz. Com a primeira guerra mundial, porém, e um forte sentimento anti-germânico por todos os EUA, em 1918 julgou-se conveniente mudar o nome para algo mais neutro como The Captain and the Kids.

Assim, os endiabrados Hans e Fritz passaram a aparecer simultaneamente em dois jornais. No Journal, H.H. Knerr continuava a série original Katzenjammer Kids. No World, o autor original fazia The Captain and the Kids. Os personagens eram os mesmos e os temas eram muito parecidos. Vez por outra, até mesmo os nomes das histórias repetiam-se. Durante mais de meio século, ambos jornais mantiveram a dupla vida dos sobrinhos do capitão.

Ainda hoje, a série continua a ser publicada em cerca de cinqüenta diários espalhados pelo mundo. No Brasil, com o nome de Os Sobrinhos do Capitão, apareceu em vários jornais e revistas, entre elas o Suplemento Juvenil, o Guri e o Mirim. No dia 12 de dezembro de 1997, comemorou cem anos de existência. Atualmente é desenhada pelo cartunista Hy Eisman.


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