burburinho

corrida maluca

televisão por Nemo Nox

Em 1968 a rede norte-americana CBS teve a estréia de uma série animada que marcaria época: Wacky Races (no Brasil, Corrida Maluca).

Inspirados em dois longas-metragens que fizeram sucesso em 1965, A Corrida do Século (The Great Race, de Blake Edwards) e Esses Homens Maravilhosos com Suas Máquinas Voadoras (Those Magnificent Men in Their Flying Machines, de Ken Annakin), Jerry Eisenberg e Iwao Takamoto criaram para os estúdios Hanna-Barbera um novo conceito. Em vez de um personagem central e seus amigos e inimigos, ou um pequeno grupo de personagens principais, a série Corrida Maluca trouxe mais de vinte protagonistas, todos praticipantes de uma louca corrida onde valia tudo, menos perder.

Onze carros (se é que podemos chamar de carros aquelas engenhocas) disputavam o primeiro lugar em cada corrida. O veículo de número 00 trazia um inesquecível par de vilões, Dick Dastardly (Dick Vigarista) e seu cãozinho Muttley (que inicialmente se chamava Sniffer). Sempre inventando complicados planos para colocar os outros competidores fora da corrida, Dick invariavelmente se dava mal. Seu carro foi o único a nunca vencer uma das 34 provas da série, que foi produzida até 1970.

Os outros dez competidores alternavam-se nas vitórias. O carro número 1 era pilotado pelos irmãos Rock e Gravel, peludos homens das cavernas. O cupê mal-assombrado, número 2, levava personagens que pareciam saídos da Família Adams. O professor Pat Pending (um trocadilho com "patente em fase de aprovação") conduzia um veículo multi-tarefa que era barco, avião e automóvel, com o número 3. Outro híbrido, meio carro, meio avião da primeira guerra mundial (com metralhadoras e tudo), tinha o número 4 e era pilotado pelo Barão Vermelho. Uma das favoritas da torcida vinha no carro número 5 com seu batom e pó-de-arroz: Penelope Pitstop (Penélope Charmosa). Atrás dela, com o número 6, tínhamos uma mistura de tanque de guerra e rolo compressor, controlada pelo soldado Meekley e seu sargento gordinho, no que parecia ser uma homenagem ao Recruta Zero e ao Sargento Tainha. No carro número 7 escondia-se uma quadrilha de sete gangsters anões, liderada pelo baixinho Clyde. Diretamente do Arkansas, vinha o caipira Luke e seu urso de estimação a bordo do carro número 8. O galã da corrida, Peter Perfect (Peter Perfeito) vinha no possante número 9. E fechando a lista, com o número 10, um carro de madeira e rodas de serra pilotado pelo lenhador Rufus Ruffcut e seu amigo castor.

Corrida Maluca gerou outras séries animadas protagonizadas pelos seus personagens de mais sucesso. Dick Vigarista e Muttley estrelaram Dastardly and Muttley in their Flying Machines, agora a bordo de um avião mas ainda usando métodos sujos para atingir seus objetivos. Penélope Charmosa e a turminha de mini-gângsters (agora com um carro novo, o Chugga-boom) foram para The Perils of Penelope Pitstop, onde a jovem herdeira era perseguida por um caça-fortunas traidor.

Mas afinal, quem era o melhor piloto na Corrida Maluca? A julgar pelos resultados, quase todos eram igualmente bons (ou igualmente ruins), com três ou quatro vitórias cada e vários honrosos segundo e terceiro lugares. Dick Vigarista foi o único a nunca ter subido ao pódio, provando que correr honestamente é sempre a melhor opção. Ao menos na Corrida Maluca.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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