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o nascimento dos quadrinhos

quadrinhos por Nemo Nox

Quem nasceu primeiro, o Pato Donald ou o Super-Homem? E antes deles, quem habitava o mundo das histórias em quadrinhos? E ainda antes? Afinal, quando surgiram as primeiras histórias em quadrinhos?

Alguns especialistas insistem em afirmar que os primeiros exemplos conhecidos de histórias em quadrinhos foram feitos por homens pré-históricos.

Nas paredes das cavernas, pintaram cenas de caça que podem ser vistas em seqüência, num esquema narrativo baseado exclusivamente em imagens e muito anterior à invenção da escrita. Pinturas rupestres como estas são encontradas, por exemplo, em Altamira (Espanha) e Lascaux (França).

A narrativa através de uma seqüência de imagens surgiria novamente inúmeras vezes, em épocas e lugares variados. Papiros egípcios relatando grandes feitos dos faraós, gravuras e tapeçarias medievais contando histórias cristãs, séries de pinturas a óleo retratando episódios bélicos da Espanha oitocentista, os exemplos são muitos.

Mas se quisermos datar com alguma precisão o nascimento das histórias em quadrinhos como as conhecemos hoje, devemos considerar um elemento importante: um meio de comunicação de massa como veículo transmissor. Assim, é na explosão da imprensa norte-americana do final do século XIX que devemos buscar o verdadeiro nascimento dos quadrinhos. Narrativas ilustradas já eram populares na Europa (Max und Moritz na Alemanha e Ally Sloper na Inglaterra, por exemplo), mas texto e ilustrações ainda eram tratados como elementos separados. Foi nos EUA que finalmente surgiu a nova linguagem.

Na disputa pela atenção do público, três gigantes do jornalismo travavam uma guerra em New York. Joseph Pulitzer com o seu The New York World, William Randolph Hearst com o New York Morning Journal, e James Gordon Bennett com o New York Herald, foram os primeiros a lançar suplementos dominicais coloridos. Com muitos desenhos, procuravam cativar novos leitores, inclusive as massas de imigrantes ainda não muito familiarizadas com o idioma inglês.

Richard Felton Outcault, caricaturista do World, começou a publicar em 5 de janeiro de 1895 uma série de desenhos satíricos sob o título de At the Circus in Hogan?s Alley. O personagem principal era um rapazinho oriental trajando um camisolão amarelo no qual apareciam os textos, algumas vezes cômicos, outras simplesmente panfletários. Surgia o Yellow Kid, primeiro personagem das histórias em quadrinhos. No início da série, ele ainda era uma figura secundária, em preto e branco. Mais tarde, com o sucesso, passou a ser o centro das atenções e suas roupas ganharam a cor que lhe daria nome.

Ambientada numa favela, a série Hogan?s Alley expressava alguns anseios e reivindicações das classes sociais menos favorecidas, e foi um grande sucesso. Em 1896, Hearst contratou Outcault, por um salário muito maior, para o Morning Journal, onde o Yellow Kid passou a ser publicado. No World, George B. Luks assumiu a série Hogan?s Alley e continuou usando o mesmo personagem. Como seria de esperar, o caso foi parar nos tribunais, com Pulitzer e Hearst disputando a propriedade do Yellow Kid. A justiça norte-americana terminou por decidir que, naquelas circunstâncias, ambos jornais tinham direito de publicar o personagem, desde que mantivessem as séries com títulos diferentes. Assim, o Yellow Kid continuou morando em Hogan?s Alley no World, enquanto no Morning Journal passou a habitar um lugar chamado McFadden's Flats.

Na edição de 25 de outubro de 1896, o suplemento dominical do Morning Journal publicou a história The Yellow Kid and His New Phonographer, onde, pela primeira vez, aparecia uma série de desenhos contando uma história e usando o recurso de balões com as falas dos personagens. Eis aqui o marco inicial das histórias em quadrinhos.

Mais tarde, Outcault mudou-se para o terceiro grande jornal de New York, o Herald, e lançou um novo personagem, Buster Brown, publicado pela primeira vez em 4 de maio de 1902. Como o Herald era uma publicação voltada a um público mais selecionado, o perfil do protagonista diferia radicalmente do trabalho anterior de Outcault. Enquanto o Yellow Kid aparecia como um menino pobre e mal-vestido, Buster Brown alinhava-se no melhor estilo janota da burguesia endinheirada.

Buster Brown foi publicado no Brasil desde a sua criação, na revista O Tico-Tico. Mas o personagem foi rebatizado de Chiquinho, e com este nome fez muito sucesso. Tanto que a série continuou por aqui mesmo depois de cancelada nos EUA, assinada por artistas como Loureiro, Miguel Hochmann e Alfredo Storni.

Ah, sim! O Pato Donald é mais velho que o Super-Homem. Foi criado em 1933, por Carl Barks para os estúdios Disney. O homem de aço só surgiu cinco anos mais tarde, saído da imaginação de Jerome Siegel e Joe Shuster, dois jovens universitários na época.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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