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cecil beaton

fotografia por Nemo Nox

Mais conhecido do grande público por ter recebido um Oscar pelos figurinos e outro pela direção de arte do filme My Fair Lady (EUA, 1964, dirigido por George Cukor), o inglês Cecil Beaton (1904-1980) teve uma carreira eclética e muito produtiva, onde a fotografia sempre teve lugar de destaque.

O próprio Beaton contava que seu interesse pela fotografia começou aos três anos, em 1907, com um encanto pelos cartões postais que retratavam atrizes da época, como Lily Elsie e Gladys Cooper. Aquele ambiente formal e artificial influenciou sua obra de forma inegável. Mais tarde, espelhou seus primeiros trabalhos no retratista Barone de Meyer, sobre o qual escreveu: "É o Debussy da máquina fotográfica." Outro inspirador foi George Hoyningen-Huene, de quem Beaton afirmou ter seguido o exemplo ao fazer "fotografias que tentam ser interessantes como composições, expressam o ponto de vista do sujeito e, se possível, sugerem uma interpretação".

Aos onze anos, Beaton ganhou sua primeira câmara, uma Kodak 3A de fole, e começou a exercitar suas habilidades em fotos teatralmente românticas de sua mãe e de suas irmãs. Usou lençóis e toalhas para criar trajes exóticos, espelhos e papel celofane para obter efeitos luminosos. Aprendeu também a revelar e ampliar seus negativos, e começou a aplicar truques como uma lâmina de vidro entre o negativo e o papel para conseguir um resultado mais suave.

Como inglês bem nascido, Beaton foi estudar em Cambridge. Passou pelos cursos de história e de arquitetura, mas não se formou em nenhum deles. Aproveitou sua passagem pela universidade, porém, para continuar fotografando, usando os estudantes como modelo e as paisagens bucólicas como cenário.

Em 1924, a revista Vogue publicou uma de suas fotos, A Duquesa de Amalfi. Na verdade, tratava-se de um retrato retocado de seu amigo George Reynolds. Depois de uma bem sucedida exposição com retratos de figuras do teatro e da alta sociedade, em 1926 Beaton resolveu dedicar-se profissionalmente à fotografia e abriu um estúdio em Londres. Já com um estilo bem pessoal, Beaton chamou a atenção de muita gente, inclusive de Edna Chase, editora da revista Vogue norte-americana. A seu convite, Beaton viajou para New York em 1929 e passou a trabalhar para a Vogue, numa colaboração que durou mais de vinte anos.

Sempre circulando entre os famosos da aristocracia, das artes e das letras, Cecil Beaton imortalizou muitos deles em retratos inesquecíveis. Suas lentes captaram de Lillian Gish a Marylin Monroe, de Salvador Dali a Jean Cocteau, sem esquecer, é claro, a família real britânica.

Durante a Segunda Grande Guerra, Beaton explorou novos caminhos. Deixou em casa suas câmaras de estúdio com negativos de 10x8 polegadas e adotou uma Rolleiflex 6x6 para fotografar o conflito. Num grande contraste com seu trabalho glamouroso, documentou bombardeios em Londres e viajou para locais de combate no norte da África e no oriente.

Terminada a guerra, Beaton voltou não só aos retratos e às fotos de moda, mas também passou a se dedicar mais pelo teatro e pelo cinema, criando cenários e figurinos. O Oscar pelo figurino de Gigi (EUA, 1958, dirigido por Vincent Minnelli) trouxe a consagração nesta área, confirmada seis anos depois com mais duas estatuetas por My Fair Lady.

Além de fotógrafo, Beaton destacou-se também como teórico, tendo escrito livros como Fotógrafos Britânicos (1944) e A Imagem Mágica (1975), importantíssimos por sua análise histórica da fotografia nos séculos XIX e XX. Suas memórias ilustradas, publicados em diversos volumes sob o título genérico de Os Diários de Cecil Beaton, são também um testemunho pessoal e um passeio pela fotografia do século XX.



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