burburinho

imogen cunningham

fotografia por Nemo Nox

A norte- americana Imogen Cunningham foi para a escola somente quando já tinha oito anos, em 1891. Como que para descontar o tempo perdido, prosseguiu estudando até se formar em química, física, literatura, alemão e francês. Todos estes conhecimentos foram formadores de uma fotógrafa ao mesmo tempo exímia na parte técnica, ainda em fase de inúmeras descobertas no início do século, e extremamente sensível na parte artística.

A primeira câmara de Imogen, em formato 10x12cm, foi comprada pelo correio em 1905, quando cursava o terceiro ano da American School of Art and Photography. Entre suas primeiras fotos estava um ousado auto-retrato, em que aparecia nua sobre o relvado da universidade. Já então demonstrava seu descaso pelas convenções quando o assunto era fotografia.

Enquanto trabalhava no Curtis Studio de Seattle, sob orientação de Adolf Muhr, Imogen conseguiu uma bolsa de estudos e partiu para a Technische Hochschule de Dresden, na Alemanha. Lá continuou a aprofundar-se na teoria fotográfica e publicou seu segundo ensaio, Sobre a produção própria de papéis de platina para tonalidades marrons (a primeira tese, O desenvolvimento científico da fotografia, foi publicada ainda nos EUA).

De volta a casa em 1910, Imogen montou seu próprio estúdio e começou uma produção que fugia de todas as convenções fotográficas da época, principalmente retratos em exteriores e naturezas mortas em enquadramentos extremamente fechados. Em 1915 casou-se com o gravador Roy Patrdge, que também lhe serviria de modelo em fotos que escandalizaram a conservadora sociedade norte-americana ao serem publicadas em The Town Crier: um homem nu e preguiçoso à solta na natureza.

Com a chegada dos filhos, Imogen afastou-se por alguns anos da fotografia comercial. Nunca deixou, porém, de fotografar a família. Na década de vinte voltou à ativa, principalmente com paisagens. Foi nesta época que criou o que pode ter sido a primeira foto abstrata norte-americana, ao retratar as sombras de uma árvore durante um eclipse. Seguiu também com seus temas preferidos, as naturezas mortas e os nus.

Em 1932 passou a colaborar com a revista Vanity Fair, fotografando personalidades de Hollywood em ambientes naturais, sem a pompa e o artificialismo de outros fotógrafos. Em seguida, com outros nomes de destaque como Ansel Adams, Edward Weston e Willard Van Dyke, juntou-se ao Grupo f/64, que se propunha a criar "fotos puras", com o mínimo possível de manipulação. Divorciada em 1934, Imogen fez uma viagem a New York, onde produziu sua primeiras "fotos roubadas", nome que deu ao seu trabalho de rua.

Imogen Cunningham nunca deixou de fotografar, e seu ecletismo a fazia variar rapidamente entre seus temas preferidos, saltando dos retratos para as naturezas mortas e nunca deixando de lado os nus. Também experimentou diversos formatos de câmara e tipos de película, demonstrando curiosidade técnica ao lado da inquietude artística. Em 1946 comprou uma casa-estúdio em San Francisco e lá viveu e trabalhou durante quase trinta anos.

Quando completou noventa anos, em 1973, diversas exposições celebraram a data, entre elas retrospectivas no Metropolitam Museum of Art e na Witkin Gallery, ambas em New York. Nesta época Imogen já pouco fotografava e preocupava-se mais com a organização e conservação de seu magnífico acervo. Em 1976, consagrada e festejada, Imogen Cunningham morreu e passou a ser um símbolo na história da fotografia, exemplo de inquietude e anticonvencionalismo.



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