burburinho

mulher maravilha

quadrinhos por Nemo Nox

Muitos super-heróis já passaram o cetro para seus filhos, sendo talvez o Fantasma (The Phantom) de Lee Falk o mais célebre, transferindo a missão de defender os fracos e oprimidos de geração em geração tão eficientemente a ponto de fazer com que muitos acreditassem tratar-se de um só homem, imortal. Com a Mulher Maravilha (Wonder Woman) o caso é inverso, e possivelmente único: o manto de super-heroína passou da filha para a mãe.

A Mulher Maravilha foi criada em 1941 por William Moulton Marston (usando o pseudônimo de Charles Moulton), um psicólogo e jornalista simpatizante do feminismo, a pedido do editor Max Gaines, que buscava uma forma de atrair o público feminino para os quadrinhos. Harry Peter foi o primeiro desenhista da série. Hipólita, rainha das amazonas, desejosa de uma filha e sem homens por perto que a pudessem ajudar na tarefa, molda uma criança de barro e Afrodite, a deusa grega da beleza, dá-lhe o sopro da vida. Assim nasce Diana, princesa de Themyscira, a ilha das amazonas. Anos mais tarde, um piloto da força aérea norte-americana, Steve Trevor, faz um pouso forçado na ilha e as amazonas decidem enviar uma embaixatriz ao mundo dos homens. Como a escolhida teria de renunciar à imortalidade ao deixar a ilha, Hipólita proibe Diana de participar do torneio para o posto. Mesmo assim, a princesa usa um disfarce mágico e vence a competição. Mudando-se para os EUA, ela passa a ser a Mulher Maravilha, combatendo o mal e a injustiça.

Recentemente, depois de muitas aventuras, a vida da super-heroína mudou radicalmente. Num sonho premonitório, Hipólita vê a morte da Mulher Maravilha. Para salvar a filha, convoca uma nova competição e ajuda Artemis, de outra tribo de amazonas, a ser a vencedora e tomar o lugar de Diana. O sonho prova-se verdadeiro e Artemis morre em combate usando o traje de Mulher Maravilha. O título volta a ser de Diana, que muda sua base de operações de Boston para Gateway City. Não muito depois, lutando contra o vilão Neron, ela também morre. Os deuses, a pedido de sua mãe, resolvem ressuscitá-la como deusa da verdade e dão-lhe um lugar no Olimpo. Como penitência por ter abusado de seu poder como rainha das amazonas, Hipólita assume o papel de Mulher Maravilha e passa a defender a justiça na terra dos mortais.

A substituição da filha pela mãe não foi somente uma troca de nomes, e a nova Mulher Maravilha possui realmente uma personalidade própria, menos pacifista que Diana e menos bélica que Artemis. E fica preservada assim a existência desta super-heroína que já foi desde símbolo do feminismo até mascote de grupos de lésbicas militantes.


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