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quadrinhos por Nemo Nox

Quantos meninos de todo o mundo não caíram de cordas e cipós quando tentavam imitar Tarzan, o rei das selvas? Trata-se, sem dúvida, de um dos personagens mais conhecidos da cultura popular ocidental.

Nascido na literatura, Tarzan apareceu pela primeira vez em 1912, na novela Tarzan of the Apes (Tarzan dos Macacos), de Edgar Rice Burroughs. Depois deste, mais vinte e oito títulos foram publicados. O primeiro filme veio em 1917, com Elmo Lincoln no papel principal, e também teve mais de cinqüenta continuações ou refilmagens. Nos quadrinhos, desde 1929 aparece em jornais e revistas de todo o mundo. Mas por que tanta popularidade?

Tarzan representa o homem em estado puro, em liberdade na natureza, dominando a selva e seus animais graças à sua força e à sua superioridade intelectual. Como se não bastasse, é de linhagem nobre, descendente dos aristocráticos e milionários Greystoke. Que homem não gostaria de ser como este rei das selvas? Que mulher não gostaria de estar no lugar de Jane, a companheira do simultaneamente rude e refinado homem-macaco?

Tarzan já era um sucesso na literatura e no cinema quando o United Features Syndicate o lançou nos quadrinhos em 1929. Muitos artistas importantes desenharam Tarzan. Inicialmente, as tiras diárias eram responsabilidade de Rex Maxon, que ao mesmo tempo trabalhava em outro personagem de Burroughs, Jungle Girl. Maxon desenhou Tarzan durante dezesseis anos. De 1930 a 1937, as páginas dominicais foram feitas por Hal Foster, ótimo ilustrador que mais tarde criaria o Príncipe Valente. Com a saída de Foster, esta tarefa foi entregue a Burne Hogarth, considerado o melhor ilustrador que Tarzan já teve. Foi o reinado das florestas barrocas, dos corpos contorcidos e da perfeição anatômica. Outros nomes importantes no universo tarzânico foram John Celardo, Russ Manning e Gil Kane. No Brasil, Tarzan apareceu pela primeira vez em 1934, nas páginas do Suplemento Juvenil. Passou depois pelo Globo Juvenil e pelo Gibi, e acabou tendo várias séries de revistas próprias, editadas pela Ebal.

Em seu ambiente selvagem e desprovido de regras civilizadas, Tarzan serve também como confirmação subconsciente de modelos que a sociedade ocidental se habituou a ver como verdadeiros: a superioridade do homem sobre a natureza, do branco civilizado sobre o negro primitivo, da herança ocidental sobre as outras culturas, do macho poderoso sobre a mulher indefesa. Todos estes estereótipos, abundantes nos primeiros anos da série, foram repensados em épocas mais recentes, revistos sob o manto do politicamente correto. Mas a imagem que fica ainda é a original, do todo-poderoso senhor da selva que salva a mocinha e diz: "me Tarzan, you Jane".


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