burburinho

death to smoochy

cinema por Nemo Nox

No primeiro filme que dirigiu para o cinema, Throw Momma from the Train, Danny DeVito fazia planos mirabolantes para se livrar da própria mãe. Desde então, a iconoclastia não parou. Não é surpresa, portanto, que seu novo filme, Death to Smoochy, seja uma metralhadora giratória de humor negro.

Rainbow Randolph (Robin Williams, de Good Will Hunting e Bicentennial Man) é um apresentador de programas infantis apanhado em flagrante num esquema de corrupção. Para substituí-lo, a emissora contrata Sheldon Mopes (Edward Norton, de Fight Club e Keeping the Faith), que se transforma num sucesso instantâneo com seu rinoceronte cor-de-rosa chamado Smoochy. Inconformado com os acontecimentos, Randolph entra numa espiral de destruição tendo Mopes como alvo.

Em Death to Smoochy, os bastidores dos programas infantis são virados do avesso, ironizando da cobiça desenfreada do merchandising a qualquer custo ao comportamento nada exemplar dos ídolos da garotada. O tema não é novo. A série de animação The Simpsons já mostrava a vida real do palhaço Krusty como antítese da sua imagem na tela, e o próprio DeVito apresentou uma visão sarcástica de uma emissora no telefilme The Ratings Game. Com Death to Smoochy, porém, ele vai um pouco mais longe na irreverência. Orbitando ao redor desse circo de horrores, aparecem anões dançarinos, a máfia irlandesa, um pugilista em fim de carreira, uma organização beneficente com métodos truculentos, e um assassino junkie, entre outras amenidades.

O pobre Smoochy, evidentemente, é a vítima em mais de um aspecto. Ingênuo e utópico a princípio, mesmo depois de confrontado com a dura realidade do show business não muda significativamente de comportamento. DeVito, que também aparece como ator, consegue criticar com a mesma contundência os dois extremos, ganância desmedida e bom-mocismo sem vínculo com a realidade. Death to Smoochy não chega ao ao brilhantismo de The War of the Roses, mas é uma lufada de ar fresco no mundo formulaico das comédias estadunidenses. E afinal quem não tem vontade de acabar com aqueles apresentadores irritantes e felpudos dos programas matinais?


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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