burburinho

kate & leopold

cinema por Nemo Nox

Nas telas, Meg Ryan já foi namoradinha de Billy Crystal (When Harry Met Sally...), Tom Hanks (Joe Versus the Volcano, Sleepless in Seattle, You've Got Mail), Alec Baldwin (Prelude to a Kiss), Tim Robbins (I.Q.), Kevin Kline (French Kiss), entre outros. Agora, adicionando mais um troféu na sua carreira de rainha das comédias românticas, ela faz par com Hugh Jackman (o Wolverine de X-Men) no filme Kate & Leopold (EUA, 2001), dirigido por James Mangold (o mesmo de Cop Land e Girl, Interrupted).

Kate McKay (Meg Ryan) é uma executiva de sucesso no mundo da publicidade do século XXI. Seu ex-namorado (Liev Schreiber), uma espécie de cientista louco, descobre uma forma de viajar no tempo (nada de máquinas mirabolantes, um simples salto no vazio, na hora e no lugar certo) e por acidente acaba trazendo do passado o conde Leopold Alexis Elijah Walker Gareth Thomas Mountbatten (Hugh Jackman). Apesar de ter vindo do século XIX, passado o susto inicial, ele logo se adapta às maravilhas do nosso tempo e se sente à vontade tanto operando torradeiras e máquinas de lavar quanto participando como ator nas filmagens de um comercial de televisão. No mundo simples das comédias românticas, viajar dois séculos para o futuro causa menos impacto que algumas horas de fuso horário na vida real.

Claro que rende algumas situações divertidas o contraste entre as maneiras cavalheirescas de um conde do passado e o pragmatismo de um mundo onde a igualdade de direitos entre homens e mulheres é uma realidade. E parece ser exatamente essa a intenção da história: evocar uma qualidade perdida, uma atenção especial, uma ausência freqüentemente reclamada por mulheres românticas. Leopold parece irrestível, bastando-lhe praticar cortesias corriqueiras como levantar-se quando uma dama se levanta, acender-lhes os cigarros, e fazer comentários espirituosos sobre óperas e museus. Ninguém se lembra, evidentemente, que esses modos aristocráticos são fruto de uma vida de riqueza herdada e tempo ocioso, de muitos anos de opressão de classe, de raça e de sexo. No mundo de Leopold, Kate não poderia, por exemplo, ser uma profissional bem-sucedida. E é aqui que Kate & Leopold demonstra com clareza seus sentimentos: o que suas mulheres querem não são cavalheiros que venham do passado para as cortejar, mas que as levem de volta a um tempo onde emancipação feminina ainda era um conto de fadas.


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