burburinho

pedro abrunhosa

música por Luis Gustavo Claumann

"O silêncio é a mais perfeita forma de música. Nele eu me escondo, me encanto e pernoito as palavras que te irão encontrar. O silêncio é a minha obsessão, a minha forma de te escutar. Eu sei que estás aí, que me ouves e me percebes. Sei que sentes os meus silêncios. Eles são os teus também." (Pedro Abrunhosa, em Silêncio)

Olguns jovens portugueses costumam dizer que a música produzida no país é tão ruim que só faz sucesso por lá. É um exagero. Tudo bem que, quando se fala em Portugal, pouca coisa vem a cabeça. A maior parte dos brasileiros, provavelmente, citaria apenas os fados ou o Roberto Leal, que teve grande exposição por aqui na década de oitenta. Os mais informados, se muito, podem citar o Madredeus. Nem é a toa que, para falar da seleção portuguesa de futebol, uma das prováveis sensações da próxima copa do mundo, o programa de esportes da Rede Globo tenha apelado até para uma entrevista com o próprio Roberto Leal. Naturalmente, rolou a dança do Tiro Liro ao fundo.

Mas a boa terrinha tem muito mais a oferecer. Pedro Abrunhosa, por exemplo, é um português que nasceu branco por acaso. Influenciado pela música negra norte-americana, ele domina o pop à perfeição, oscilando entre funks com aroma setentista e as baladas pop com a mesma competência para elaborar as construções melódicas. E ainda canta bem, quase sempre cool e de forma pouco derramada, talvez sua maior qualidade para os brasileiros que se impacientam com o acento lusitano.

O sucesso não é tão recente assim. Após vários anos envolvido com produções que flertavam com o jazz e o rhythm'n blues, Pedro Abrunhosa juntou-se com o Bandemónio para gravar o seu primeiro disco, Viagens, lançado em 1994, com a participação do saxofonista de James Brown, Maceo Parker. Já na estréia, conseguiu a marca única no mercado português de tripla-platina. Um dos melhores momentos no repertório é Lua, canção intimista que deu nome ao disco lançado no Brasil que reunia os melhores momentos de Viagens e de Tempo, lançado em 1996 na edição portuguesa.

Seu último disco, Silêncio - Para Ouvir Alto, repetiu o sucesso dos anteriores. Editado em novembro de 1999, contou com a presença dos percussionistas de Caetano Veloso, de Nina Miranda (do Smoke City) e da seção de cordas que habitualmente trabalha com o Radiohead. A faixa de destaque, além da que dá nome ao disco, é Beijo, onde as cordas acompanham o piano e a voz do músico.

Não bastasse o talento musical, Abrunhosa também é prodigioso para lançar moda. Primeiro, com a mania de estar sempre de óculos escuros, ou com venda, para nunca mostrar os olhos, lançou uma linha de óculos escuros com quinze modelos em quatro cores. Não é só. Para seus fãs, há também uma linha de sapatos.


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