burburinho

the one

cinema por Nemo Nox

E se existissem universos paralelos ao nosso, com réplicas quase exatas de cada um de nós? E se cada grupo de réplicas partilhasse da mesma força vital, com cada elemento se fortalecendo sempre que outro morresse? E se alguém soubesse de tudo isso, fosse capaz de viajar entre esses universos paralelos, e saísse numa missão de acabar com todas as suas réplicas para se tornar o ser mais poderoso do universo? Essa é a história de The One (EUA, 2001), dirigido por James Wong e estrelado por Jet Li.

Apesar de estar ancorado numa premissa de ficção-científica, The One é basicamente um filme de ação, como se poderia esperar ao ver no poster o astro das artes marciais Jet Li. Ele soca, chuta, corre, salta, pode tanto parar no ar em estilo The Matrix como funcionar com rapidez impossível de ser alcançada por seus adversários. Para deter este super Jet Li só mesmo outro Jet Li. E, como estamos numa história sobre universos paralelos, é exatamente o que acontece. O esperadíssimo combate final é entre um Jet Li bonzinho e um Jet Li mauzinho, lembrando Replicant, onde Jean-Claude Van Damme enfrentou seu próprio clone.

A idéia de universos paralelos com cópias ligeiramente alteradas de cada um de nós pode parecer absurda mas saiu da mente de cientistas de verdade. Uma subteoria da física quântica chamada "the many worlds interpretation" (a interpretação dos muitos mundos), criada por Hugh Everett III e retrabalhada por Bryce DeWitt, diz que o universo se multiplica sempre que uma medição quântica é feita e mostra mais de um resultado possível. Cada um desses resultados seria válido num dos universos paralelos, que se expandiriam como uma árvore de galhos infinitos. Se para alguns cientistas mais ponderados (como Murray Gell-Mann, Stephen Hawking e Steven Weinberg) tudo isto é somente uma abstração, uma maneira conveniente de abordar o problema no plano formal, para outros mais afoitos (como David Deutsch e o próprio DeWitt) trata-se de uma explicação literal da realidade. Segundo estes últimos, haveria realmente uma inifidade de universos paralelos, com uma infinidade de réplicas de Jet Li. Em algum deles, talvez The One fosse um filme melhor, algo mais que um pretexto para mostrar seqüências de luta e efeitos especiais.


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