burburinho

the majestic

cinema por Nemo Nox

Peter Appleton é um roteirista de filmes B na Hollywood dos anos 50. Falsamente acusado de ter ligações comunistas, perde o emprego e a namorada. Desiludido e embriagado, acaba se envolvendo num acidente automobilístico no qual perde a memória. Numa fabulosa coincidência, é adotado pelos habitantes de uma cidadezinha que o confundem com seu sósia que desapareceu na guerra. Assim Peter Appleton passa a viver a vida de Luke Trimble. Até que...

Assim começa a história de The Majestic (EUA, 2001), dirigido por Frank Darabont (de The Shawshank Redemption e The Green Mile). Estrelado por Jim Carrey (de Man on the Moon e The Truman Show), numa de suas poucas interpretações sem caretas, o filme também traz o excelente Martin Landau (de Tucker e Ed Wood) e a bela Laurie Holden (das séries The X Files e The Magnificent Seven).

The Majestic é uma grande coleção de temas da cultura popular, da parábola do filho pródigo ao mito da sala de cinema, com referências a outros cineastas, óbvias como Preston Sturges (Hail the Conquering Hero também contava a história de um sujeito retornando falsamente como herói à sua cidade natal) ou sutis como Steven Spielberg (a estatueta usada no filme escrito por Peter Appleton é uma réplica da que foi usada em Raiders of the Lost Ark). A cidadezinha idealizada onde a troca de identidades acontece é uma utopia tipicamente estadunidense, e só é necessária uma última peça no quebra-cabeça, ainda que seja uma peça falsa, para que ela possa desabrochar.

Curiosamente, o filme de certa forma também se comporta como seu protagonista, assumindo o lugar de alguém que já morreu e tentando corresponder ao ideal esperado dele. The Majestic tenta emular clássicos de uma época de inocência há muito perdida por Hollywwod, como na obra otimista de Frank Capra, com cenários domésticos que parecem saídos de ilustrações de Norman Rockwell. Este é ao mesmo tempo seu maior trunfo, porque a recriação é feita com muito talento, e seu maior problema, porque o público de hoje é muito mais crítico e bem menos inocente que há meio século. A mensagem de bom-mocismo e princípios acima de tudo já não convence.


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