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the lord of the rings: the fellowship of the ring

cinema por Nemo Nox

A primeira coisa a impressionar em The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (NZ-EUA, 2001) é a riqueza de detalhes. Um mundo completo é recriado na tela, da roupa e da mobília de criaturas pacatas como os hobbits às armas e armaduras dos belicosos ogros, passando pela elegância da joalheira dos elfos e pela imponência da arquitetura dos anões.

Tudo isso foi criado há mais de cinqüenta anos na literatura de J.R.R. Tolkien e agora cuidadosamente levado para as telas por Peter Jackson (de Heavenly Creatures e The Frighteners). Quem leu a obra original poderá se maravilhar com a fidelidade minuciosa da adaptação, enquanto quem só agora está entrando em contato com o mundo fictício conhecido como Middle Earth dificilmente ficará alheio ao gigantesco trabalho de construção de um universo ficcional tão amplo e consistente.

O jovem Frodo Baggins (Elijah Wood, de The Good Son e Deep Impact) herda um anel que se revela como um poderoso artefato mágico capaz de dar o domínio do mundo ao maléfico Sauron, arqui-vilão que retorna do passado. O mago Galdalf (Ian McKellen, de Richard III e X-Men) ajuda-o a levar o anel até Rivendell, cidade dos elfos. Lá, fica resolvido que o anel precisa ser destruído, e a única forma de fazer isso é atirando-o nas entranhas flamejantes do monte Doom, não por acaso, residência do próprio Sauron. Para ajudar Frodo, que não passa de um indefeso e diminuto hobbit (menor que um anão, pés peludos, rechonchudo), juntam-se a ele os humanos Aragorn (Viggo Mortensen, de A Perfect Murder e 28 Days) e Boromir (de Patriot Games e Ronin), o elfo Legolas (Orlando Bloom, de Wilde e Black Hawk Down), o anão Gimli (John Rhys-Davies, de Raiders of the Lost Ark e King Solomon's Mines), os hobbits Sam (Sean Astin), Pippin (Billy Boyd) e Merry (Dominic Monaghan), além do próprio Gandalf. É a Irmandade do Anel, que dá o subtítulo desta primeira parte da história.

O elenco é particularmente bem escolhido. Além dos nove protagonistas, temos também Liv Tyler (de Armageddon) como Arwen e Cate Blanchett (de Elizabeth) como Galadriel, duas elfas de beleza extraordinária e coração puro; Hugo Weaving (de The Matrix) como Elrond, um sábio elfo; Christopher Lee (de Dracula e The Curse of Frankenstein) como Saruman, o mago renegado; e Ian Holm (de Alien e The Fifth Element) como Bilbo Baggins, o hobbit que encontrou o anel. Quase como um personagem adicional, aparecem as paisagens da Nova Zelândia, que servem como cenário perfeito, com pequenas adaptações, para o mundo imaginado por Tolkien.

The Lord of the Rings mostra um mundo predominantemente masculino. Mas ainda que a presença das mulheres possa ser breve, não deixa de ser marcante. Os dois personagens femininos mais importantes, Arwen e Galadriel, funcionam como inspiração para todos os outros, simbolizando uma grande coleção de virtudes, da beleza à sabedoria, da pureza à determinação. A fêmea tolkieniana é um ser romantizado, mas ainda assim rico em nuances.

Mesmo sem contar que se baseia na obra que pode ser considerada a origem de todo o gênero, The Lord of the Rings tem um grande diferencial em relação à maioria dos filmes de fantasia repletos de efeitos especiais: consegue construir personagens multidimensionais e, por isso, transmitir diferentes emoções ao espectador. Muito mais que simplesmente o encanto pela engenhosidade numa animação em 3d ou pela criatividade num cenário grandioso (e tudo isto está presente no filme), somos brindados com a possibilidade de identificação com os personagens, que, apesar de serem quase todos de raças estranhas como hobbits ou elfos, carregam sentimentos, dúvidas e conflitos internos particularmente humanos. Como em toda boa ficção.


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